sábado, 12 de dezembro de 2015

Um doce vício – A bad trip.

Leia aqui o começo dessa história


Já estava perto de fazer um ano que conheci aquela galera do show do Arctic Monkeys. O único que perdi o contato foi com ele. Aquele grupo no Whats sofreu algumas alterações, pessoas saíram, pessoas entraram, grupos secundários foram criados. Ele mudou de número nesse meio tempo e no fim, não fazia mais parte de nenhum dos grupos.



Um dia, um dos meninos mandou uma mensagem pro grupo assim: "Eu tava pensando aqui, vcs podiam adicionar o Alex* nesse grupo, graças a ele que eu tô aqui". Algumas pessoas sabiam mais ou menos da nossa história e comentaram "Quem é esse? O peguete da Mari?" O silêncio pairou por algumas horas e eu respondi "Adicionem ué".

Mal intencionada, passei o número dele para a administradora do grupo e falei “Isis*, adiciona o Alex* ai”. Ela mandou emoticons de gargalhadas e o adicionou em seguida.

Ele demorou para se manifestar e quando o fez, perguntou quem ia no próximo show que aconteceria em SP em algumas semanas – show esse, que quando ainda éramos o casal do comercial da margarina Doriana, combinamos de ir juntos – respondi: “Eu vou, mas não quero ir com vc”. Eu ainda estava magoada, ele percebeu e nem respondeu.

Eu criei aquela situação, graças a mim ele estava naquele grupo, mas eu não queria admitir, nem pra mim mesma, que eu tinha tramado tudo aquilo, só pra, de alguma forma, chamar a atenção dele.

Fiquei mal depois de ter falado aquilo e mandei uma mensagem no privado pedindo desculpas e ele respondeu “Relaxa, Mari”. Aquelas palavras me deixaram muito intrigada. Ele parecia ter me superado.

No mesmo dia comprei ingresso para o show, no qual eu tinha até desistido de ir depois que brigamos. Mas mudei de idéia, decidi que eu ia naquele show de qualquer jeito e ia encontrar ele. Eu sabia que para esquecê-lo de vez, eu deveria evitar vê-lo, mas alguma coisa me dizia que eu precisava encontra-lo.

Quando faltava apenas uma semana, outro grupo menor foi criado, só com o pessoal que ia no show. E lá estavamos nós dois de novo. Todos começaram a combinar horários, trocar informação de como ia chegar no local, até que ele respondeu uma pergunta minha e assim começamos a nos alfinetar.

Naquela semana, numa manhã chuvosa, indo trabalhar com os meus óculos escuros e um fone no ouvido, começou a tocar “Soldier of love” do Pearl Jam, fazia tantos anos que eu não escutava aquela música, e quando prestei atenção na letra ela dizia "Lay down your arms and surrender to me" (abaixe suas armas e renda-se a mim). Foi quando percebi que não queria aquele clima de guerra entre a gente e baixei a minha guarda.

Apenas um dia antes do show, ele me chamou em mensagem privada, depois de nos cutucarmos pelo grupo de novo, e já foi logo jogando na cara “Vc disse que eu fui a pior coisa que te aconteceu esse ano”. Pedi desculpas por aquelas palavras e uma conversa pacificada começou. Ele disse que queria saber como eu estava, queria saber dos meus planos e eu disse que queria saber dos dele “Amanhã conversamos” – ele finalizou a conversa.

No dia do show todo mundo foi mais cedo, e por ironia do destino – dessa vez, juro que não foi armado – eu e ele fomos os únicos que nos atrasamos e chegamos quase ao mesmo tempo no estádio onde aconteceria o show.

"Alô, Mari, to chegando" – "Ok, já entrei, estou bem na reta da entrada ao lado do gol".

O som das guitarras começaram. Peguei uma cerveja, virei de volta pra frente do palco e comecei a vibrar com a entrada da banda. Estava ansiosa porque ele não chegava. E quase que de surpresa, antes de começar o refrão da primeira música, sinto meus pés levantarem do chão e alguém me envolvendo num confortante abraço e um carinhoso beijo no rosto. Era ele.

Ofegante, ele disse "Vamos mais pra frente". Arrumamos um lugar e nos concentramos no show. Às vezes, comentávamos alguma coisa um com o outro, estávamos claramente sem jeito, mas aquela música  que penetrava em nossos ouvidos ajudou a descontrair. E com o intuito de preparar o terreno perguntei "Não estamos mais brigados?"  "Claro que não" – ele respondeu. 

Passei a mão no cabelo dele e perguntei "Pq vc cortou?" – "Ah pq já estava enchendo o saco cabelo grande". Deslizei a minha mão até a sua nuca, o puxei pra minha direção e nos beijamos.

Como uma pílula calmante, aquele beijo desceu pelo meu esôfago, começou a nadar no meu estômago e logo causou efeitos no meu corpo. Senti um frio na barriga, o abracei forte, ele correspondeu, cheguei mais perto, parecia que nossos corpos iam se fundir. Ah, que alívio sentir ele correndo novamente nas minhas veias. “Por que vc fez isso?” – ele perguntou. Eu não sabia o que responder, não sei se era a palavra certa mas disse “Saudades”.

"Faz quanto tempo? Final de Julho né?" – ele perguntou "Que nos vimos pela última vez?... Sim, final de Julho" – falei.

Enquanto isso a banda tocava uma música melhor que a outra, e parecia não ter fim. Ficamos quase o tempo todo abraçados. Quando começou a chover a banda deu uma pausa, nos abrigamos embaixo da cobertura de um portão. Tentei puxar conversa, saber como ele estava, o que ele andava fazendo da vida mas poucas palavras saíram daquela boca. 

Quando a banda voltou, ele tirou a mochila das costas, a colocou no chão, saiu desorientado sem dar explicação e voltou depois de uns minutos. Ele fez isso três vezes.

Depois de três horas o show chegou ao fim. Encontramos dois amigos dele, mas não conseguimos encontrar a galera do grupo do Whatsapp que tinha chegado lá mais cedo e resolvemos ir os quatro para a Augusta (rua em SP agitada a noite). Começamos a caminhar para encontrar um taxi, mas era impossível, então, paramos num ponto de ônibus.

Enquanto os dois amigos dele se revezavam para dar goles numa garrafa de Gray Goose, ele estava nitidamente em outra dimensão.

Então lembrei que o vi colocando algo na boca, assim que ele chegou no show. “Eu tomei uma coisa quando cheguei” – ele me contou “Eu vi!” – respondi. Enquanto eu o usava para alimentar meu vício, ele se saciava de outra droga, que não era meus beijos, nem a minha presença, nem nada que vinha de mim.

Eu já estava ficando cansada e tudo que eu queria era uma cama, ou um sofá que fosse, pra deitar abraçada com ele e cair no sono. Mas comecei a notar que, mesmo que ele tivesse essa oportunidade, ele não estava pensando nisso.

De repente, ele atravessou a rua, sentou do outro lado da calçada e lá ficou, o amigo bêbado o seguiu. Eu fiquei. O amigo começou a acenar pra mim e gritar “Mari, vem pra cá” mas eu não fui, fiquei observando aquela cena, pela quarta vez naquela noite ele saiu e me deixou ali parada, esperando por ele.

Enquanto isso, o outro amigo estava tentando negociar um taxi do outro lado da avenida, até que conseguiu. Entramos todos apertados no carro, dividindo com mais dois caras que conhecemos no ponto de ônibus e estavam indo para o mesmo lugar. 

"Ela vai no seu colo"  um dos caras falou. "Hã?"  o Alex* respondeu  "Ela... Não é a sua mina?"   o cara repetiu apontando pra mim. "Ah sim!" ele murmurou. Aquela viagem que ele estava tendo parecia não ter fim e eu desisti, aquela noite eu sabia que ele não seria meu.

Usei ele por aproximadamente 10 horas, desde da hora que nos encontramos no show até a manhã seguinte quando ele foi sentido norte para o terminal de ônibus, para voltar pra cidade dele, e eu sentido leste, para voltar pra casa.

Quando nos despedimos no metrô, dei um selinho nele e disse "Tchau"  e ele respondeu "Tchau gatona". Desci daquele trem e imediatamente percebi que aquilo havia morrido, aquela paixão e aquela obsessão que eu tinha por ele havia acabado.

A sensação de estar com ele não foi a mesma que da última vez, ele não me olhou mais com aquele olhar de bobo, não acariciou meu rosto, não me beijou intensamente por diversas vezes, não conversou comigo, nem perguntou quais eram meus planos como ele mesmo disse que queria saber.

Antes daquele show eu estava tão ansiosa, trêmula, cargas de serotonina corriam pelo meu corpo. Eu mal podia acreditar que ia usar aquela droga de novo, depois de tanto tempo sem. Mas a viagem não foi como eu esperava. Naquela madrugada tive uma bad trip.

Uns 3 dias depois do show, eu mandei uma mensagem pra ele "Quanto tempo durou o efeito daquilo que vc tomou?" E ele respondeu que até perto da hora que a gente foi embora.

Nesse momento percebi que ele vive num mundo diferente do meu, que curte as coisas de maneira diferente da minha. E eu não quero alguém ao meu lado que fica em outra realidade o tempo inteiro, que não me enxerga, que não me curte.

Eu ainda não o esqueci. O beijo, o sexo, nossa rebeldia e nossas ideias sempre serão almas gêmeas, mas eu não sou dele e ele não é meu, somos de outras pessoas.

Não muito tempo depois, conheci outro alguém. A altura, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia eram parecidos, mas o gosto musical…


"Quais são as suas bandas preferidas?"  ele me perguntou no primeiro encontro - "Tenho muitas... Rolling Stones, Arctic Monkeys..."  "Não gosto de Arctic Monkeys"  ele me interrompeu - "Ufa!" Suspirei aliviada.


*nomes fictícios 

5 comentários:

  1. Chocada com o final. Mas é melhor assim! Tudo de com amiga!!

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    1. Oh Ju, obrigada amiga!!! A vida continua né??!! Bjoo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Viado! Cê escreve muito bem. Amei sua viagem ft. Bad trip!! Mas é uma droga esses caras. Te entendo perfeitamente.

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sábado, 12 de dezembro de 2015

Um doce vício – A bad trip.

Leia aqui o começo dessa história


Já estava perto de fazer um ano que conheci aquela galera do show do Arctic Monkeys. O único que perdi o contato foi com ele. Aquele grupo no Whats sofreu algumas alterações, pessoas saíram, pessoas entraram, grupos secundários foram criados. Ele mudou de número nesse meio tempo e no fim, não fazia mais parte de nenhum dos grupos.



Um dia, um dos meninos mandou uma mensagem pro grupo assim: "Eu tava pensando aqui, vcs podiam adicionar o Alex* nesse grupo, graças a ele que eu tô aqui". Algumas pessoas sabiam mais ou menos da nossa história e comentaram "Quem é esse? O peguete da Mari?" O silêncio pairou por algumas horas e eu respondi "Adicionem ué".

Mal intencionada, passei o número dele para a administradora do grupo e falei “Isis*, adiciona o Alex* ai”. Ela mandou emoticons de gargalhadas e o adicionou em seguida.

Ele demorou para se manifestar e quando o fez, perguntou quem ia no próximo show que aconteceria em SP em algumas semanas – show esse, que quando ainda éramos o casal do comercial da margarina Doriana, combinamos de ir juntos – respondi: “Eu vou, mas não quero ir com vc”. Eu ainda estava magoada, ele percebeu e nem respondeu.

Eu criei aquela situação, graças a mim ele estava naquele grupo, mas eu não queria admitir, nem pra mim mesma, que eu tinha tramado tudo aquilo, só pra, de alguma forma, chamar a atenção dele.

Fiquei mal depois de ter falado aquilo e mandei uma mensagem no privado pedindo desculpas e ele respondeu “Relaxa, Mari”. Aquelas palavras me deixaram muito intrigada. Ele parecia ter me superado.

No mesmo dia comprei ingresso para o show, no qual eu tinha até desistido de ir depois que brigamos. Mas mudei de idéia, decidi que eu ia naquele show de qualquer jeito e ia encontrar ele. Eu sabia que para esquecê-lo de vez, eu deveria evitar vê-lo, mas alguma coisa me dizia que eu precisava encontra-lo.

Quando faltava apenas uma semana, outro grupo menor foi criado, só com o pessoal que ia no show. E lá estavamos nós dois de novo. Todos começaram a combinar horários, trocar informação de como ia chegar no local, até que ele respondeu uma pergunta minha e assim começamos a nos alfinetar.

Naquela semana, numa manhã chuvosa, indo trabalhar com os meus óculos escuros e um fone no ouvido, começou a tocar “Soldier of love” do Pearl Jam, fazia tantos anos que eu não escutava aquela música, e quando prestei atenção na letra ela dizia "Lay down your arms and surrender to me" (abaixe suas armas e renda-se a mim). Foi quando percebi que não queria aquele clima de guerra entre a gente e baixei a minha guarda.

Apenas um dia antes do show, ele me chamou em mensagem privada, depois de nos cutucarmos pelo grupo de novo, e já foi logo jogando na cara “Vc disse que eu fui a pior coisa que te aconteceu esse ano”. Pedi desculpas por aquelas palavras e uma conversa pacificada começou. Ele disse que queria saber como eu estava, queria saber dos meus planos e eu disse que queria saber dos dele “Amanhã conversamos” – ele finalizou a conversa.

No dia do show todo mundo foi mais cedo, e por ironia do destino – dessa vez, juro que não foi armado – eu e ele fomos os únicos que nos atrasamos e chegamos quase ao mesmo tempo no estádio onde aconteceria o show.

"Alô, Mari, to chegando" – "Ok, já entrei, estou bem na reta da entrada ao lado do gol".

O som das guitarras começaram. Peguei uma cerveja, virei de volta pra frente do palco e comecei a vibrar com a entrada da banda. Estava ansiosa porque ele não chegava. E quase que de surpresa, antes de começar o refrão da primeira música, sinto meus pés levantarem do chão e alguém me envolvendo num confortante abraço e um carinhoso beijo no rosto. Era ele.

Ofegante, ele disse "Vamos mais pra frente". Arrumamos um lugar e nos concentramos no show. Às vezes, comentávamos alguma coisa um com o outro, estávamos claramente sem jeito, mas aquela música  que penetrava em nossos ouvidos ajudou a descontrair. E com o intuito de preparar o terreno perguntei "Não estamos mais brigados?"  "Claro que não" – ele respondeu. 

Passei a mão no cabelo dele e perguntei "Pq vc cortou?" – "Ah pq já estava enchendo o saco cabelo grande". Deslizei a minha mão até a sua nuca, o puxei pra minha direção e nos beijamos.

Como uma pílula calmante, aquele beijo desceu pelo meu esôfago, começou a nadar no meu estômago e logo causou efeitos no meu corpo. Senti um frio na barriga, o abracei forte, ele correspondeu, cheguei mais perto, parecia que nossos corpos iam se fundir. Ah, que alívio sentir ele correndo novamente nas minhas veias. “Por que vc fez isso?” – ele perguntou. Eu não sabia o que responder, não sei se era a palavra certa mas disse “Saudades”.

"Faz quanto tempo? Final de Julho né?" – ele perguntou "Que nos vimos pela última vez?... Sim, final de Julho" – falei.

Enquanto isso a banda tocava uma música melhor que a outra, e parecia não ter fim. Ficamos quase o tempo todo abraçados. Quando começou a chover a banda deu uma pausa, nos abrigamos embaixo da cobertura de um portão. Tentei puxar conversa, saber como ele estava, o que ele andava fazendo da vida mas poucas palavras saíram daquela boca. 

Quando a banda voltou, ele tirou a mochila das costas, a colocou no chão, saiu desorientado sem dar explicação e voltou depois de uns minutos. Ele fez isso três vezes.

Depois de três horas o show chegou ao fim. Encontramos dois amigos dele, mas não conseguimos encontrar a galera do grupo do Whatsapp que tinha chegado lá mais cedo e resolvemos ir os quatro para a Augusta (rua em SP agitada a noite). Começamos a caminhar para encontrar um taxi, mas era impossível, então, paramos num ponto de ônibus.

Enquanto os dois amigos dele se revezavam para dar goles numa garrafa de Gray Goose, ele estava nitidamente em outra dimensão.

Então lembrei que o vi colocando algo na boca, assim que ele chegou no show. “Eu tomei uma coisa quando cheguei” – ele me contou “Eu vi!” – respondi. Enquanto eu o usava para alimentar meu vício, ele se saciava de outra droga, que não era meus beijos, nem a minha presença, nem nada que vinha de mim.

Eu já estava ficando cansada e tudo que eu queria era uma cama, ou um sofá que fosse, pra deitar abraçada com ele e cair no sono. Mas comecei a notar que, mesmo que ele tivesse essa oportunidade, ele não estava pensando nisso.

De repente, ele atravessou a rua, sentou do outro lado da calçada e lá ficou, o amigo bêbado o seguiu. Eu fiquei. O amigo começou a acenar pra mim e gritar “Mari, vem pra cá” mas eu não fui, fiquei observando aquela cena, pela quarta vez naquela noite ele saiu e me deixou ali parada, esperando por ele.

Enquanto isso, o outro amigo estava tentando negociar um taxi do outro lado da avenida, até que conseguiu. Entramos todos apertados no carro, dividindo com mais dois caras que conhecemos no ponto de ônibus e estavam indo para o mesmo lugar. 

"Ela vai no seu colo"  um dos caras falou. "Hã?"  o Alex* respondeu  "Ela... Não é a sua mina?"   o cara repetiu apontando pra mim. "Ah sim!" ele murmurou. Aquela viagem que ele estava tendo parecia não ter fim e eu desisti, aquela noite eu sabia que ele não seria meu.

Usei ele por aproximadamente 10 horas, desde da hora que nos encontramos no show até a manhã seguinte quando ele foi sentido norte para o terminal de ônibus, para voltar pra cidade dele, e eu sentido leste, para voltar pra casa.

Quando nos despedimos no metrô, dei um selinho nele e disse "Tchau"  e ele respondeu "Tchau gatona". Desci daquele trem e imediatamente percebi que aquilo havia morrido, aquela paixão e aquela obsessão que eu tinha por ele havia acabado.

A sensação de estar com ele não foi a mesma que da última vez, ele não me olhou mais com aquele olhar de bobo, não acariciou meu rosto, não me beijou intensamente por diversas vezes, não conversou comigo, nem perguntou quais eram meus planos como ele mesmo disse que queria saber.

Antes daquele show eu estava tão ansiosa, trêmula, cargas de serotonina corriam pelo meu corpo. Eu mal podia acreditar que ia usar aquela droga de novo, depois de tanto tempo sem. Mas a viagem não foi como eu esperava. Naquela madrugada tive uma bad trip.

Uns 3 dias depois do show, eu mandei uma mensagem pra ele "Quanto tempo durou o efeito daquilo que vc tomou?" E ele respondeu que até perto da hora que a gente foi embora.

Nesse momento percebi que ele vive num mundo diferente do meu, que curte as coisas de maneira diferente da minha. E eu não quero alguém ao meu lado que fica em outra realidade o tempo inteiro, que não me enxerga, que não me curte.

Eu ainda não o esqueci. O beijo, o sexo, nossa rebeldia e nossas ideias sempre serão almas gêmeas, mas eu não sou dele e ele não é meu, somos de outras pessoas.

Não muito tempo depois, conheci outro alguém. A altura, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia eram parecidos, mas o gosto musical…


"Quais são as suas bandas preferidas?"  ele me perguntou no primeiro encontro - "Tenho muitas... Rolling Stones, Arctic Monkeys..."  "Não gosto de Arctic Monkeys"  ele me interrompeu - "Ufa!" Suspirei aliviada.


*nomes fictícios 

5 comentários:

  1. Chocada com o final. Mas é melhor assim! Tudo de com amiga!!

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    1. Oh Ju, obrigada amiga!!! A vida continua né??!! Bjoo

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Viado! Cê escreve muito bem. Amei sua viagem ft. Bad trip!! Mas é uma droga esses caras. Te entendo perfeitamente.

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