segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um doce vício parte IV


Leia aqui as primeiras partes.

Síndrome de abstinência é o conjunto de modificações orgânicas que se dão em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica. (Wikipédia).

Falta de sono e de apetite, crises de choro, mais vontade de beber e fumar, tédio e dores no peito. Essas foram as modificações que ocorreram no meu organismo por algumas semanas depois que decidi dar início ao meu tratamento de desintoxicação.

Por semanas, toda noite eu ficava várias horas refletindo sobre o que tinha dado errado e quando finalmente caia no sono, sonhava com ele. E quando eu acordava na manhã seguinte, aquela sensação ruim ainda estava lá. Já me apaixonei outras vezes, sabia que uma hora isso ia passar, eu só tinha que ser forte. Então saia de casa para ir trabalhar, usando um óculos escuros e um fone de ouvido no volume máximo. Pisando firme no chão como se ele estivesse embaixo dos meus pés e não pudesse mais me machucar.

Comecei a sair com outros caras, mas todos tinham o mesmo perfil dele. Inconscientemente eu estava tentando substituí-lo, já que eu não tinha ele, eu precisava pelo menos encontrar um analgégico para dor no peito.

Mas as tentativas foram fracassadas. A altura era a mesma, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia também. O gosto musical idêntico. “Você foi no show do Arctic Monkeys que teve em SP?” – o cara me perguntou. “Fui sim” – respondi. “Que foda, queria ter ido, eles são muito bons”. – ele disse. “Nossa!” – falei olhando no relógio – “Preciso ir embora, vai fechar o metrô”.

Nenhum deles me fizeram sentir o que eu sentia por ele. Eu bebia e quando chegava em casa depois de ter ficado com alguém, eu chorava descontroladamente. Naquele momento eu era a música Back to Black da Amy “Me and my head high, and my tears dry, get on without my guy”  (Eu, chapada, e com as minhas lágrimas secas, sigo em frente sem o meu homem)

Apesar de saber que ele era imaturo demais e que ia optar pelo caminho mais fácil – que era deixar eu ir embora – eu ainda alimentava a esperança que ele ia lembrar de quando eu me maquiava na frente do espelho e ele ficava me observando sem piscar o olho. Então ia perceber que não veria mais aquela cena e corresse atrás de mim para implorar perdão e pedir que começássemos de novo. 

Alguns meses antes daquela mensagem que cortou nossos laços, uma amiga viu nas cartas de tarô que ele não era pra sempre, mas deveria ficar na minha vida como uma distração. Eu não dei ouvidos porque eu o queria pra sempre ou não o queria mais.

Eu não estava bem, tive uma crise de stress aguda no começo do ano, mexas do meu cabelo chegaram a cair e eu fiquei careca numa pequena parte no topo da cabeça. Tive que tomar anti-depressivo e repensar sobre o estilo de vida que eu estava levando. Apesar de viajar com frequência, eu estava sentindo muita falta de mochilar de verdade e estar longe de casa por meses ou talvez anos. 

Quando ele apareceu na minha vida, eu estava me recuperando dessa crise, e eu acabei depositando a esperança de melhora toda nele. E esse foi meu erro. Por isso eu não queria mais prolongar aquele vício, queria me curar logo.

Eu continuei forte, não voltei atrás, não falei mais com ele. Passaram, semanas, passou um mês, dois meses. Poderiam até checar o histórico do meu celular, eu não havia feito contato algum com ele. Eu estava limpa.

Até que, longe dos olhos vigilantes de todos que sabiam do meu vício, trancada no meu quarto, um dia eu estava ociosa na internet, procurei a página dele no Face, apesar de não sermos mais amigos, ainda consegui ver algumas coisas que estavam abertas. E ele tinha cortado o cabelo e deixado uma barbicha crescer. Que merda, como ele estava lindo!



Me senti como se eu estivesse literalmente internada numa clínica de reabilitação e conseguido drogas com um funcionário corrupto. Tremores tomaram conta do meu corpo e meu coração acelerou. A recaída foi tão forte que desbloqueei ele no Whats.



2 comentários:

  1. Poxa Mari!
    Quero ver o desfecho...
    Curiosidade: Você já parou para pensar que em algum lugar (ou em vários) do planeta deve ter alguém tentando fazer detox de você também rsrs...
    Afinal as pessoas que gostam da gente e tratamos indiferente também tem suas histórias, mas isso faz com que tratemos os sentimentos alheios com mais responsabilidade, porque é muito triste está sensação de desamparo e abandono :(

    ResponderExcluir
  2. é uma história longa com muitos detalhes, não dá pra postar tudo de uma vez.
    Mas já está terminando :) ... hahaha tenho certeza que ninguém está tentando fazer detox de mim. Sei que já teve, mas no momento não.

    ResponderExcluir

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um doce vício parte IV


Leia aqui as primeiras partes.

Síndrome de abstinência é o conjunto de modificações orgânicas que se dão em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica. (Wikipédia).

Falta de sono e de apetite, crises de choro, mais vontade de beber e fumar, tédio e dores no peito. Essas foram as modificações que ocorreram no meu organismo por algumas semanas depois que decidi dar início ao meu tratamento de desintoxicação.

Por semanas, toda noite eu ficava várias horas refletindo sobre o que tinha dado errado e quando finalmente caia no sono, sonhava com ele. E quando eu acordava na manhã seguinte, aquela sensação ruim ainda estava lá. Já me apaixonei outras vezes, sabia que uma hora isso ia passar, eu só tinha que ser forte. Então saia de casa para ir trabalhar, usando um óculos escuros e um fone de ouvido no volume máximo. Pisando firme no chão como se ele estivesse embaixo dos meus pés e não pudesse mais me machucar.

Comecei a sair com outros caras, mas todos tinham o mesmo perfil dele. Inconscientemente eu estava tentando substituí-lo, já que eu não tinha ele, eu precisava pelo menos encontrar um analgégico para dor no peito.

Mas as tentativas foram fracassadas. A altura era a mesma, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia também. O gosto musical idêntico. “Você foi no show do Arctic Monkeys que teve em SP?” – o cara me perguntou. “Fui sim” – respondi. “Que foda, queria ter ido, eles são muito bons”. – ele disse. “Nossa!” – falei olhando no relógio – “Preciso ir embora, vai fechar o metrô”.

Nenhum deles me fizeram sentir o que eu sentia por ele. Eu bebia e quando chegava em casa depois de ter ficado com alguém, eu chorava descontroladamente. Naquele momento eu era a música Back to Black da Amy “Me and my head high, and my tears dry, get on without my guy”  (Eu, chapada, e com as minhas lágrimas secas, sigo em frente sem o meu homem)

Apesar de saber que ele era imaturo demais e que ia optar pelo caminho mais fácil – que era deixar eu ir embora – eu ainda alimentava a esperança que ele ia lembrar de quando eu me maquiava na frente do espelho e ele ficava me observando sem piscar o olho. Então ia perceber que não veria mais aquela cena e corresse atrás de mim para implorar perdão e pedir que começássemos de novo. 

Alguns meses antes daquela mensagem que cortou nossos laços, uma amiga viu nas cartas de tarô que ele não era pra sempre, mas deveria ficar na minha vida como uma distração. Eu não dei ouvidos porque eu o queria pra sempre ou não o queria mais.

Eu não estava bem, tive uma crise de stress aguda no começo do ano, mexas do meu cabelo chegaram a cair e eu fiquei careca numa pequena parte no topo da cabeça. Tive que tomar anti-depressivo e repensar sobre o estilo de vida que eu estava levando. Apesar de viajar com frequência, eu estava sentindo muita falta de mochilar de verdade e estar longe de casa por meses ou talvez anos. 

Quando ele apareceu na minha vida, eu estava me recuperando dessa crise, e eu acabei depositando a esperança de melhora toda nele. E esse foi meu erro. Por isso eu não queria mais prolongar aquele vício, queria me curar logo.

Eu continuei forte, não voltei atrás, não falei mais com ele. Passaram, semanas, passou um mês, dois meses. Poderiam até checar o histórico do meu celular, eu não havia feito contato algum com ele. Eu estava limpa.

Até que, longe dos olhos vigilantes de todos que sabiam do meu vício, trancada no meu quarto, um dia eu estava ociosa na internet, procurei a página dele no Face, apesar de não sermos mais amigos, ainda consegui ver algumas coisas que estavam abertas. E ele tinha cortado o cabelo e deixado uma barbicha crescer. Que merda, como ele estava lindo!



Me senti como se eu estivesse literalmente internada numa clínica de reabilitação e conseguido drogas com um funcionário corrupto. Tremores tomaram conta do meu corpo e meu coração acelerou. A recaída foi tão forte que desbloqueei ele no Whats.



2 comentários:

  1. Poxa Mari!
    Quero ver o desfecho...
    Curiosidade: Você já parou para pensar que em algum lugar (ou em vários) do planeta deve ter alguém tentando fazer detox de você também rsrs...
    Afinal as pessoas que gostam da gente e tratamos indiferente também tem suas histórias, mas isso faz com que tratemos os sentimentos alheios com mais responsabilidade, porque é muito triste está sensação de desamparo e abandono :(

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  2. é uma história longa com muitos detalhes, não dá pra postar tudo de uma vez.
    Mas já está terminando :) ... hahaha tenho certeza que ninguém está tentando fazer detox de mim. Sei que já teve, mas no momento não.

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