sábado, 21 de novembro de 2015

Um doce vício parte II


O silêncio entre a gente durou apenas uma semana, mas eu já sentia falta dele. Até no trabalho as pessoas perceberam a minha cara de azeda, parecia que meu corpo estava pedindo por aquela droga que eu não tinha mais.

Até que ele mandou uma mensagem quebrando o gelo “Se eu te mandar alguma coisa que não seja notícia minha, vc vai ler?” 

A combinação da abstinência daquele vício com a minha capacidade de perdoar rápido as pessoas, fez com que eu tivesse uma recaída. Respondi a sua mensagem carinhosamente e voltamos o contato.

Novamente aquela paixão descontrolada começou. Começamos a nos chamar de apelidos clichês como paixão, amor, meu lindo, minha linda, princesa e cada dia que passava eu ficava mais dependente e sentia mais necessidade de vê-lo.

"Estou te mandando mensagem bêbado, isso prova que sou seu" 

"Vem morar comigo?" 

"Vou até SP falar com seus pais e pedir vc em namoro" 

"I wanna be yours"

"Existem três tipos de amor, de Platão, Aristóteles e de Cristo (...)  por isso eu sei que te amo". 

Não estou exagerando, nem modificando nada, o conteúdo das mensagens que ele me mandava eram exatamente esses que vc acabou de ler. Foi mais rápido que a luz e sem perceber eu mergulhei de cabeça no jogo dele.

Ele dizia que nos veríamos em breve, mas esse breve nunca chegava. Apesar de ter perdoado ele pelo último ocorrido, meu orgulho não permitiria que eu fosse até a cidade dele de novo depois do que ele fez. Então, pra se redimir, eu impus que ele teria que vir até mim. Ele dizia que não tinha dinheiro para vir passar um fds comigo em SP, que não podia agora, mas pra eu ter paciência.

Apesar dessas alegações, ele vivia indo em festivais, shows e raves. Ou seja, dinheiro, tempo e disposição não eram os fatores que o impediam de chegar até mim.

Aí que começaram os problemas. De um lado uma mulher, formada, com emprego e cargo estáveis, viajada e com uma bagagem de vida imensa nas costas. Do outro, um moleque, universitário que não trabalhava, ainda descobrindo a vida. Eu fugi das cenas de novela mexicana, mas estava vivendo uma novela da Globo, e o que é pior, da mais juvenil de todas, Malhação.

Dois meses se passaram nesse impasse e finalmente ele veio me ver. Ele chegou em SP numa quinta-feira, ficou na casa de um amigo e me encontrou uma hora da tarde do sábado. Fizemos check-in num hotel e só saímos de lá para comer por volta das nove da noite.

Tinhamos um laptop tocando rock, bebida, cigarro e o corpo nu um do outro, no melhor estilo "Sexo, Drogas e Rock'n'roll". Eu respirei ele, eu senti ele, me alimentei dele, eu consumi cada pedaço do seu corpo. Ele entrou direto na minha corrente sanguínea, acelerou meus batimentos cardíacos, dilatou as minhas pupilas e me deu a sensação de prazer que eu tanto ansiava. 

“Minha nicotina” sussurrei no pé de seu ouvido, ele apenas sorriu. “Quando vamos nos ver de novo?” perguntei. “Nem fui embora e já está pensando na próxima” ele respondeu.

Fizemos check out, almoçamos e ele seguiu de volta para sua cidade. “Vê se não some” ele me disse na despedida. Me virei em silêncio e parti.

Por trás daquelas palavras percebi um pouco de desprezo. Eu esperei ansiosamente por dois meses para ficar apenas 24 horas ao lado daquela pessoa e ele não estava nem se importando se iríamos nos ver de novo algum dia. Fui pra casa carregando o seu cheiro no meu corpo, o seu gosto nos meus lábios e o toque das suas mãos no meu rosto. Fui embora satisfeita e abastecida daquela droga mas no fundo muito machucada.

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sábado, 21 de novembro de 2015

Um doce vício parte II


O silêncio entre a gente durou apenas uma semana, mas eu já sentia falta dele. Até no trabalho as pessoas perceberam a minha cara de azeda, parecia que meu corpo estava pedindo por aquela droga que eu não tinha mais.

Até que ele mandou uma mensagem quebrando o gelo “Se eu te mandar alguma coisa que não seja notícia minha, vc vai ler?” 

A combinação da abstinência daquele vício com a minha capacidade de perdoar rápido as pessoas, fez com que eu tivesse uma recaída. Respondi a sua mensagem carinhosamente e voltamos o contato.

Novamente aquela paixão descontrolada começou. Começamos a nos chamar de apelidos clichês como paixão, amor, meu lindo, minha linda, princesa e cada dia que passava eu ficava mais dependente e sentia mais necessidade de vê-lo.

"Estou te mandando mensagem bêbado, isso prova que sou seu" 

"Vem morar comigo?" 

"Vou até SP falar com seus pais e pedir vc em namoro" 

"I wanna be yours"

"Existem três tipos de amor, de Platão, Aristóteles e de Cristo (...)  por isso eu sei que te amo". 

Não estou exagerando, nem modificando nada, o conteúdo das mensagens que ele me mandava eram exatamente esses que vc acabou de ler. Foi mais rápido que a luz e sem perceber eu mergulhei de cabeça no jogo dele.

Ele dizia que nos veríamos em breve, mas esse breve nunca chegava. Apesar de ter perdoado ele pelo último ocorrido, meu orgulho não permitiria que eu fosse até a cidade dele de novo depois do que ele fez. Então, pra se redimir, eu impus que ele teria que vir até mim. Ele dizia que não tinha dinheiro para vir passar um fds comigo em SP, que não podia agora, mas pra eu ter paciência.

Apesar dessas alegações, ele vivia indo em festivais, shows e raves. Ou seja, dinheiro, tempo e disposição não eram os fatores que o impediam de chegar até mim.

Aí que começaram os problemas. De um lado uma mulher, formada, com emprego e cargo estáveis, viajada e com uma bagagem de vida imensa nas costas. Do outro, um moleque, universitário que não trabalhava, ainda descobrindo a vida. Eu fugi das cenas de novela mexicana, mas estava vivendo uma novela da Globo, e o que é pior, da mais juvenil de todas, Malhação.

Dois meses se passaram nesse impasse e finalmente ele veio me ver. Ele chegou em SP numa quinta-feira, ficou na casa de um amigo e me encontrou uma hora da tarde do sábado. Fizemos check-in num hotel e só saímos de lá para comer por volta das nove da noite.

Tinhamos um laptop tocando rock, bebida, cigarro e o corpo nu um do outro, no melhor estilo "Sexo, Drogas e Rock'n'roll". Eu respirei ele, eu senti ele, me alimentei dele, eu consumi cada pedaço do seu corpo. Ele entrou direto na minha corrente sanguínea, acelerou meus batimentos cardíacos, dilatou as minhas pupilas e me deu a sensação de prazer que eu tanto ansiava. 

“Minha nicotina” sussurrei no pé de seu ouvido, ele apenas sorriu. “Quando vamos nos ver de novo?” perguntei. “Nem fui embora e já está pensando na próxima” ele respondeu.

Fizemos check out, almoçamos e ele seguiu de volta para sua cidade. “Vê se não some” ele me disse na despedida. Me virei em silêncio e parti.

Por trás daquelas palavras percebi um pouco de desprezo. Eu esperei ansiosamente por dois meses para ficar apenas 24 horas ao lado daquela pessoa e ele não estava nem se importando se iríamos nos ver de novo algum dia. Fui pra casa carregando o seu cheiro no meu corpo, o seu gosto nos meus lábios e o toque das suas mãos no meu rosto. Fui embora satisfeita e abastecida daquela droga mas no fundo muito machucada.

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