quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Retrospectiva Pegação 2015 (Vlog)


Assista o vídeo novo no YouTube. Não se esqueça de se inscrever no canal e dar um joinha ;)








Em 2011 eu não me apaixonei, nem em 2012, nem em 2013. Fiquei 3 anos sem me apaixonar por ninguém, até que o ano passado apareceu um palhaço que eu me apeguei. Sabe aquele vídeo sobre as fases da superação de um pé na bunda? Então, quando eu passei por todas as fases da superação, que eu esqueci o desgraça, esse ano me aparece outro desgraça.

É nessas horas que eu olho pro ceu e digo, ‘Ah vá pra piiiiiiii que pariu memo viu?”

Essa história foi muito longa, para saber mais clique aqui.

O abacaxi:  O ano começou bem. Peguei um inglês que conheci no ano passado numa festa num hostel em SP. A gente já tinha ficado, e estavamos no rio na mesma época então nos encontramos.... Ja tava la, Ja tava pago, tinha todos os dentes na boca… mas dai, eu voltei pra SP, o inglês ficou no rio, e a vida continuou... Ah sim, o apelido de abacaxi, é pq ele tinha um dread no meio da cabeça e colocava pra cima.  – unsual!

O modelo: na mesma época, estava falando com um  cara do Tinder que era mo-de-lo. Meu tinder deu match com um MO-DE-LO. Mas quando eu achei que ia desfilar por ai com um MO-DE-L-O.

Ele só enrolava… toda vez q eu queria encontrar com ele, ele não podia, dizia que estava num evento.

Meu snap apitava e quando ia ver era foto do tanquinho dele. Porra, vô querer foto de tanquinho pra quê?

O carioca: conheci um carioca – não lembro se foi pelo Tinder ou por algum outro ap p – ele era mto fofo, super gente boa, super gatinho. Era época de carnaval e lembro que ele me mandava foto das festas que tava rolando no Rio, e eu mandava o que tava rolando em SP. E toda vez q eu tava numa festa ele mandava “juizo viu?”. De repente: sumiu! Pow carioca #chateada 

O vizinho: Nesse meio tempo, descobri um app novo, o happn. Comecei a conversar com um cara la… “vc mora onde?” – eu perguntei  “Na ZL no conjunto de prédios em frente ao metro”. Pensei “Péra! eu tbm moro ai” Nunca mais respondi o cara. Sai fora o cara mora no meu condominio! Peguete que mora muito perto nao presta não!

O milionário:  Mais velho, empreendedor, estilo partidão... Tomando uma breja com o cara e ele me lança "juntar 1 milhão de reais é fácil". Até cuspi a cerveja! O cara consegue juntar 1 milhão, mas não não tinha nada a ver comigo, cara! 

O médico: nas férias do meio do ano fui pra Santiago. Na primeira noite, conheci uns brasileiros no hostel, nos juntamos com uma galera da Australia, tudo maluco, e saimos… os brasileiros eram do interior de SP, medicos residentes… hmmmmm! E tinha um que era uma BELEZINHA! E adivinha o nome do dele? O mesmo nome do desgraça que eu tava tentando esquecer. Mas é claro, que esse fato nao me impediu de pegar o médico gracinha hehehehe

O fake: comecei a fuçar outro app chamado Adote um cara. Dai comecei a conversar com um cara que me deu o seu whats.  Quando eu add no whats, a foto do whats nao tinha NADA A VER com o cara. Nem mandei msg, mas ele mandou msg pelo app cobrando q eu entrasse em contato com ele pelo Whats… daí joguei a real… “amigo, desculpa mas vc é fake? Ele ficou PUTO e falou um monte, que eu não tinha nada que julgar ele pq as minhas fotos todas eu estava usando maquiagem e ele queria ver se eu postava uma foto de cara limpa. Amigo, antes maquiagem do que foto fake, né??!!!

Destino ou Coincidência?: E pra fechar o ano a última história… Fui pra Arraial do cabo numa excursão – clique aqui para ler sobre essa viagem – 
E um dia antes da viagem, fizeram um grupo no Whats com todos que iam viajar. Uma das minhas amigas, fuçou nos integrantes do grupo, viu um novinho, printout a tela e me mandou dizendo “Oh Mari, um novinho pra vc pegar em Arraial”.

Eu até vi ele durante a viagem, mas não me liguei que era o mesmo da foto, e pelo que me lembro, ele estava com uma mina.

Um mês depois, fuçando no tinder, quem me aparece? Exato! Começamos a conversar, falei pra ele que lembrava dele, ele também lembrou de mim e … felizes para sempre! Zuera!

No amigo secreto desse ano, ganhei uma calcinha vermelha para dar sorte no amor, vamos ver o que 2016 me reserva! ;)






sábado, 12 de dezembro de 2015

Um doce vício – A bad trip.

Leia aqui o começo dessa história


Já estava perto de fazer um ano que conheci aquela galera do show do Arctic Monkeys. O único que perdi o contato foi com ele. Aquele grupo no Whats sofreu algumas alterações, pessoas saíram, pessoas entraram, grupos secundários foram criados. Ele mudou de número nesse meio tempo e no fim, não fazia mais parte de nenhum dos grupos.



Um dia, um dos meninos mandou uma mensagem pro grupo assim: "Eu tava pensando aqui, vcs podiam adicionar o Alex* nesse grupo, graças a ele que eu tô aqui". Algumas pessoas sabiam mais ou menos da nossa história e comentaram "Quem é esse? O peguete da Mari?" O silêncio pairou por algumas horas e eu respondi "Adicionem ué".

Mal intencionada, passei o número dele para a administradora do grupo e falei “Isis*, adiciona o Alex* ai”. Ela mandou emoticons de gargalhadas e o adicionou em seguida.

Ele demorou para se manifestar e quando o fez, perguntou quem ia no próximo show que aconteceria em SP em algumas semanas – show esse, que quando ainda éramos o casal do comercial da margarina Doriana, combinamos de ir juntos – respondi: “Eu vou, mas não quero ir com vc”. Eu ainda estava magoada, ele percebeu e nem respondeu.

Eu criei aquela situação, graças a mim ele estava naquele grupo, mas eu não queria admitir, nem pra mim mesma, que eu tinha tramado tudo aquilo, só pra, de alguma forma, chamar a atenção dele.

Fiquei mal depois de ter falado aquilo e mandei uma mensagem no privado pedindo desculpas e ele respondeu “Relaxa, Mari”. Aquelas palavras me deixaram muito intrigada. Ele parecia ter me superado.

No mesmo dia comprei ingresso para o show, no qual eu tinha até desistido de ir depois que brigamos. Mas mudei de idéia, decidi que eu ia naquele show de qualquer jeito e ia encontrar ele. Eu sabia que para esquecê-lo de vez, eu deveria evitar vê-lo, mas alguma coisa me dizia que eu precisava encontra-lo.

Quando faltava apenas uma semana, outro grupo menor foi criado, só com o pessoal que ia no show. E lá estavamos nós dois de novo. Todos começaram a combinar horários, trocar informação de como ia chegar no local, até que ele respondeu uma pergunta minha e assim começamos a nos alfinetar.

Naquela semana, numa manhã chuvosa, indo trabalhar com os meus óculos escuros e um fone no ouvido, começou a tocar “Soldier of love” do Pearl Jam, fazia tantos anos que eu não escutava aquela música, e quando prestei atenção na letra ela dizia "Lay down your arms and surrender to me" (abaixe suas armas e renda-se a mim). Foi quando percebi que não queria aquele clima de guerra entre a gente e baixei a minha guarda.

Apenas um dia antes do show, ele me chamou em mensagem privada, depois de nos cutucarmos pelo grupo de novo, e já foi logo jogando na cara “Vc disse que eu fui a pior coisa que te aconteceu esse ano”. Pedi desculpas por aquelas palavras e uma conversa pacificada começou. Ele disse que queria saber como eu estava, queria saber dos meus planos e eu disse que queria saber dos dele “Amanhã conversamos” – ele finalizou a conversa.

No dia do show todo mundo foi mais cedo, e por ironia do destino – dessa vez, juro que não foi armado – eu e ele fomos os únicos que nos atrasamos e chegamos quase ao mesmo tempo no estádio onde aconteceria o show.

"Alô, Mari, to chegando" – "Ok, já entrei, estou bem na reta da entrada ao lado do gol".

O som das guitarras começaram. Peguei uma cerveja, virei de volta pra frente do palco e comecei a vibrar com a entrada da banda. Estava ansiosa porque ele não chegava. E quase que de surpresa, antes de começar o refrão da primeira música, sinto meus pés levantarem do chão e alguém me envolvendo num confortante abraço e um carinhoso beijo no rosto. Era ele.

Ofegante, ele disse "Vamos mais pra frente". Arrumamos um lugar e nos concentramos no show. Às vezes, comentávamos alguma coisa um com o outro, estávamos claramente sem jeito, mas aquela música  que penetrava em nossos ouvidos ajudou a descontrair. E com o intuito de preparar o terreno perguntei "Não estamos mais brigados?"  "Claro que não" – ele respondeu. 

Passei a mão no cabelo dele e perguntei "Pq vc cortou?" – "Ah pq já estava enchendo o saco cabelo grande". Deslizei a minha mão até a sua nuca, o puxei pra minha direção e nos beijamos.

Como uma pílula calmante, aquele beijo desceu pelo meu esôfago, começou a nadar no meu estômago e logo causou efeitos no meu corpo. Senti um frio na barriga, o abracei forte, ele correspondeu, cheguei mais perto, parecia que nossos corpos iam se fundir. Ah, que alívio sentir ele correndo novamente nas minhas veias. “Por que vc fez isso?” – ele perguntou. Eu não sabia o que responder, não sei se era a palavra certa mas disse “Saudades”.

"Faz quanto tempo? Final de Julho né?" – ele perguntou "Que nos vimos pela última vez?... Sim, final de Julho" – falei.

Enquanto isso a banda tocava uma música melhor que a outra, e parecia não ter fim. Ficamos quase o tempo todo abraçados. Quando começou a chover a banda deu uma pausa, nos abrigamos embaixo da cobertura de um portão. Tentei puxar conversa, saber como ele estava, o que ele andava fazendo da vida mas poucas palavras saíram daquela boca. 

Quando a banda voltou, ele tirou a mochila das costas, a colocou no chão, saiu desorientado sem dar explicação e voltou depois de uns minutos. Ele fez isso três vezes.

Depois de três horas o show chegou ao fim. Encontramos dois amigos dele, mas não conseguimos encontrar a galera do grupo do Whatsapp que tinha chegado lá mais cedo e resolvemos ir os quatro para a Augusta (rua em SP agitada a noite). Começamos a caminhar para encontrar um taxi, mas era impossível, então, paramos num ponto de ônibus.

Enquanto os dois amigos dele se revezavam para dar goles numa garrafa de Gray Goose, ele estava nitidamente em outra dimensão.

Então lembrei que o vi colocando algo na boca, assim que ele chegou no show. “Eu tomei uma coisa quando cheguei” – ele me contou “Eu vi!” – respondi. Enquanto eu o usava para alimentar meu vício, ele se saciava de outra droga, que não era meus beijos, nem a minha presença, nem nada que vinha de mim.

Eu já estava ficando cansada e tudo que eu queria era uma cama, ou um sofá que fosse, pra deitar abraçada com ele e cair no sono. Mas comecei a notar que, mesmo que ele tivesse essa oportunidade, ele não estava pensando nisso.

De repente, ele atravessou a rua, sentou do outro lado da calçada e lá ficou, o amigo bêbado o seguiu. Eu fiquei. O amigo começou a acenar pra mim e gritar “Mari, vem pra cá” mas eu não fui, fiquei observando aquela cena, pela quarta vez naquela noite ele saiu e me deixou ali parada, esperando por ele.

Enquanto isso, o outro amigo estava tentando negociar um taxi do outro lado da avenida, até que conseguiu. Entramos todos apertados no carro, dividindo com mais dois caras que conhecemos no ponto de ônibus e estavam indo para o mesmo lugar. 

"Ela vai no seu colo"  um dos caras falou. "Hã?"  o Alex* respondeu  "Ela... Não é a sua mina?"   o cara repetiu apontando pra mim. "Ah sim!" ele murmurou. Aquela viagem que ele estava tendo parecia não ter fim e eu desisti, aquela noite eu sabia que ele não seria meu.

Usei ele por aproximadamente 10 horas, desde da hora que nos encontramos no show até a manhã seguinte quando ele foi sentido norte para o terminal de ônibus, para voltar pra cidade dele, e eu sentido leste, para voltar pra casa.

Quando nos despedimos no metrô, dei um selinho nele e disse "Tchau"  e ele respondeu "Tchau gatona". Desci daquele trem e imediatamente percebi que aquilo havia morrido, aquela paixão e aquela obsessão que eu tinha por ele havia acabado.

A sensação de estar com ele não foi a mesma que da última vez, ele não me olhou mais com aquele olhar de bobo, não acariciou meu rosto, não me beijou intensamente por diversas vezes, não conversou comigo, nem perguntou quais eram meus planos como ele mesmo disse que queria saber.

Antes daquele show eu estava tão ansiosa, trêmula, cargas de serotonina corriam pelo meu corpo. Eu mal podia acreditar que ia usar aquela droga de novo, depois de tanto tempo sem. Mas a viagem não foi como eu esperava. Naquela madrugada tive uma bad trip.

Uns 3 dias depois do show, eu mandei uma mensagem pra ele "Quanto tempo durou o efeito daquilo que vc tomou?" E ele respondeu que até perto da hora que a gente foi embora.

Nesse momento percebi que ele vive num mundo diferente do meu, que curte as coisas de maneira diferente da minha. E eu não quero alguém ao meu lado que fica em outra realidade o tempo inteiro, que não me enxerga, que não me curte.

Eu ainda não o esqueci. O beijo, o sexo, nossa rebeldia e nossas ideias sempre serão almas gêmeas, mas eu não sou dele e ele não é meu, somos de outras pessoas.

Não muito tempo depois, conheci outro alguém. A altura, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia eram parecidos, mas o gosto musical…


"Quais são as suas bandas preferidas?"  ele me perguntou no primeiro encontro - "Tenho muitas... Rolling Stones, Arctic Monkeys..."  "Não gosto de Arctic Monkeys"  ele me interrompeu - "Ufa!" Suspirei aliviada.


*nomes fictícios 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um doce vício parte IV


Leia aqui as primeiras partes.

Síndrome de abstinência é o conjunto de modificações orgânicas que se dão em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica. (Wikipédia).

Falta de sono e de apetite, crises de choro, mais vontade de beber e fumar, tédio e dores no peito. Essas foram as modificações que ocorreram no meu organismo por algumas semanas depois que decidi dar início ao meu tratamento de desintoxicação.

Por semanas, toda noite eu ficava várias horas refletindo sobre o que tinha dado errado e quando finalmente caia no sono, sonhava com ele. E quando eu acordava na manhã seguinte, aquela sensação ruim ainda estava lá. Já me apaixonei outras vezes, sabia que uma hora isso ia passar, eu só tinha que ser forte. Então saia de casa para ir trabalhar, usando um óculos escuros e um fone de ouvido no volume máximo. Pisando firme no chão como se ele estivesse embaixo dos meus pés e não pudesse mais me machucar.

Comecei a sair com outros caras, mas todos tinham o mesmo perfil dele. Inconscientemente eu estava tentando substituí-lo, já que eu não tinha ele, eu precisava pelo menos encontrar um analgégico para dor no peito.

Mas as tentativas foram fracassadas. A altura era a mesma, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia também. O gosto musical idêntico. “Você foi no show do Arctic Monkeys que teve em SP?” – o cara me perguntou. “Fui sim” – respondi. “Que foda, queria ter ido, eles são muito bons”. – ele disse. “Nossa!” – falei olhando no relógio – “Preciso ir embora, vai fechar o metrô”.

Nenhum deles me fizeram sentir o que eu sentia por ele. Eu bebia e quando chegava em casa depois de ter ficado com alguém, eu chorava descontroladamente. Naquele momento eu era a música Back to Black da Amy “Me and my head high, and my tears dry, get on without my guy”  (Eu, chapada, e com as minhas lágrimas secas, sigo em frente sem o meu homem)

Apesar de saber que ele era imaturo demais e que ia optar pelo caminho mais fácil – que era deixar eu ir embora – eu ainda alimentava a esperança que ele ia lembrar de quando eu me maquiava na frente do espelho e ele ficava me observando sem piscar o olho. Então ia perceber que não veria mais aquela cena e corresse atrás de mim para implorar perdão e pedir que começássemos de novo. 

Alguns meses antes daquela mensagem que cortou nossos laços, uma amiga viu nas cartas de tarô que ele não era pra sempre, mas deveria ficar na minha vida como uma distração. Eu não dei ouvidos porque eu o queria pra sempre ou não o queria mais.

Eu não estava bem, tive uma crise de stress aguda no começo do ano, mexas do meu cabelo chegaram a cair e eu fiquei careca numa pequena parte no topo da cabeça. Tive que tomar anti-depressivo e repensar sobre o estilo de vida que eu estava levando. Apesar de viajar com frequência, eu estava sentindo muita falta de mochilar de verdade e estar longe de casa por meses ou talvez anos. 

Quando ele apareceu na minha vida, eu estava me recuperando dessa crise, e eu acabei depositando a esperança de melhora toda nele. E esse foi meu erro. Por isso eu não queria mais prolongar aquele vício, queria me curar logo.

Eu continuei forte, não voltei atrás, não falei mais com ele. Passaram, semanas, passou um mês, dois meses. Poderiam até checar o histórico do meu celular, eu não havia feito contato algum com ele. Eu estava limpa.

Até que, longe dos olhos vigilantes de todos que sabiam do meu vício, trancada no meu quarto, um dia eu estava ociosa na internet, procurei a página dele no Face, apesar de não sermos mais amigos, ainda consegui ver algumas coisas que estavam abertas. E ele tinha cortado o cabelo e deixado uma barbicha crescer. Que merda, como ele estava lindo!



Me senti como se eu estivesse literalmente internada numa clínica de reabilitação e conseguido drogas com um funcionário corrupto. Tremores tomaram conta do meu corpo e meu coração acelerou. A recaída foi tão forte que desbloqueei ele no Whats.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um doce vício parte III

Leia aqui a parte I e II

As semanas seguintes que se arrastaram depois do nosso confinamento naquele quarto de hotel foram as piores.

Enquanto eu não parava de pensar em cada momento vivido ali e já ansiosa pelo próximo, ele parecia nem se importar. Ficou frio, distante, não respondia mais às minhas mensagens com a mesma frequência, me deixava falando e muito menos mandava um "bom dia" ou "boa noite". Eu me perguntava "Pra onde foi aquele cara que disse que era tonto por mim?"

Talvez eu tenha me deixado levar pelas palavras meigas dele e pela atenção que ele me deu, que não necessariamente significavam que iríamos viver um amor de filme de sessão da tarde. Eu realmente acreditei que eu estava vivendo algo recíproco, mas não estava.

Eu continuei cobrando quando ia ser nosso próximo encontro e as respostas que ele me dava eram como murros nos meus olhos quando as liam.

Parei de me importar, ou fingi que parei, e não o procurei mais. Mas ele dava um jeito de aparecer na minha vida, curtindo alguma coisa no meu Facebook ou comentando meus vídeos no YouTube. Eu cheguei a dizer com todas as letras "Se vc não percebeu, estou tentando desencanar de vc, será que vc pode colaborar?" e a resposta dele foi "Isso me deixa triste" seguido de um emoji de carinha triste. 

Quando morei nos Estados Unidos cuidei de um garotinho de 3 anos, quando eu dava bronca nele a resposta dele era "Isso me deixa triste". Foi ai que percebi que eu estava apaixonada por um cara imaturo que quando se via numa situação que ele não sabia o que fazer ele respondia exatamente a mesma coisa que um garotinho de 3 anos.

Outro feriado se aproximava e ele disse que viria pra SP e se eu queria "dar uma volta". "Talvez. Mais próximo da data a gente combina". Foi a minha resposta.

O feriado chegou, ele sumiu e só foi dar notícias dias depois. Então ele começou um joguinho de me mandar "Oi, td bem?" Ou mandar só uma mensagem chamando meu nome e depois desaparecer por dias.

Eu até tentei manter uma relação sem cobranças, sem ciúmes, sem expectativas, mas eu gostava demais dele pra conseguir fazer isso. Então cansei, fiquei puta, me senti uma palhaça. O que ele queria afinal? Àquela altura pra mim só tinha duas opções, das quais ele não queria escolher nenhuma delas: ficar comigo pra valer ou sumir da minha vida. 

Eu pensava nele desde da hora que eu acordava até a hora de dormir, eu não trabalhava direito, eu não olhava para os lados, fui viajar e ficava pensando que teria sido muito melhor se ele tivesse comigo, ia pra balada e não curtia, saia com amigos e achava um saco. Tudo parecia chato sem ele.

Eu não queria mais sentir aquilo. Não queria mais ser dependente daquela sensação que ele me fazia sentir. Não queria mais perder o foco.

Num dia de TPM mandei a seguinte mensagem em resposta de um “Oi!” que ele mandou "Por favor, não faça mais contato comigo. Vc foi a pior coisa que me aconteceu esse ano." 


Decidi que estava na hora de encarar uma desintoxicação e esquecê-lo. Então comecei uma sessão rehab. Deletei ele do meu Facebook, o bloquiei do Whatsapp e até o bani da página do meu blog. 

Naquela noite meu travesseiro absorveu minhas lágrimas sem reclamar do gosto amargo e salgado.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Retrospectiva Pegação 2015 (Vlog)


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Em 2011 eu não me apaixonei, nem em 2012, nem em 2013. Fiquei 3 anos sem me apaixonar por ninguém, até que o ano passado apareceu um palhaço que eu me apeguei. Sabe aquele vídeo sobre as fases da superação de um pé na bunda? Então, quando eu passei por todas as fases da superação, que eu esqueci o desgraça, esse ano me aparece outro desgraça.

É nessas horas que eu olho pro ceu e digo, ‘Ah vá pra piiiiiiii que pariu memo viu?”

Essa história foi muito longa, para saber mais clique aqui.

O abacaxi:  O ano começou bem. Peguei um inglês que conheci no ano passado numa festa num hostel em SP. A gente já tinha ficado, e estavamos no rio na mesma época então nos encontramos.... Ja tava la, Ja tava pago, tinha todos os dentes na boca… mas dai, eu voltei pra SP, o inglês ficou no rio, e a vida continuou... Ah sim, o apelido de abacaxi, é pq ele tinha um dread no meio da cabeça e colocava pra cima.  – unsual!

O modelo: na mesma época, estava falando com um  cara do Tinder que era mo-de-lo. Meu tinder deu match com um MO-DE-LO. Mas quando eu achei que ia desfilar por ai com um MO-DE-L-O.

Ele só enrolava… toda vez q eu queria encontrar com ele, ele não podia, dizia que estava num evento.

Meu snap apitava e quando ia ver era foto do tanquinho dele. Porra, vô querer foto de tanquinho pra quê?

O carioca: conheci um carioca – não lembro se foi pelo Tinder ou por algum outro ap p – ele era mto fofo, super gente boa, super gatinho. Era época de carnaval e lembro que ele me mandava foto das festas que tava rolando no Rio, e eu mandava o que tava rolando em SP. E toda vez q eu tava numa festa ele mandava “juizo viu?”. De repente: sumiu! Pow carioca #chateada 

O vizinho: Nesse meio tempo, descobri um app novo, o happn. Comecei a conversar com um cara la… “vc mora onde?” – eu perguntei  “Na ZL no conjunto de prédios em frente ao metro”. Pensei “Péra! eu tbm moro ai” Nunca mais respondi o cara. Sai fora o cara mora no meu condominio! Peguete que mora muito perto nao presta não!

O milionário:  Mais velho, empreendedor, estilo partidão... Tomando uma breja com o cara e ele me lança "juntar 1 milhão de reais é fácil". Até cuspi a cerveja! O cara consegue juntar 1 milhão, mas não não tinha nada a ver comigo, cara! 

O médico: nas férias do meio do ano fui pra Santiago. Na primeira noite, conheci uns brasileiros no hostel, nos juntamos com uma galera da Australia, tudo maluco, e saimos… os brasileiros eram do interior de SP, medicos residentes… hmmmmm! E tinha um que era uma BELEZINHA! E adivinha o nome do dele? O mesmo nome do desgraça que eu tava tentando esquecer. Mas é claro, que esse fato nao me impediu de pegar o médico gracinha hehehehe

O fake: comecei a fuçar outro app chamado Adote um cara. Dai comecei a conversar com um cara que me deu o seu whats.  Quando eu add no whats, a foto do whats nao tinha NADA A VER com o cara. Nem mandei msg, mas ele mandou msg pelo app cobrando q eu entrasse em contato com ele pelo Whats… daí joguei a real… “amigo, desculpa mas vc é fake? Ele ficou PUTO e falou um monte, que eu não tinha nada que julgar ele pq as minhas fotos todas eu estava usando maquiagem e ele queria ver se eu postava uma foto de cara limpa. Amigo, antes maquiagem do que foto fake, né??!!!

Destino ou Coincidência?: E pra fechar o ano a última história… Fui pra Arraial do cabo numa excursão – clique aqui para ler sobre essa viagem – 
E um dia antes da viagem, fizeram um grupo no Whats com todos que iam viajar. Uma das minhas amigas, fuçou nos integrantes do grupo, viu um novinho, printout a tela e me mandou dizendo “Oh Mari, um novinho pra vc pegar em Arraial”.

Eu até vi ele durante a viagem, mas não me liguei que era o mesmo da foto, e pelo que me lembro, ele estava com uma mina.

Um mês depois, fuçando no tinder, quem me aparece? Exato! Começamos a conversar, falei pra ele que lembrava dele, ele também lembrou de mim e … felizes para sempre! Zuera!

No amigo secreto desse ano, ganhei uma calcinha vermelha para dar sorte no amor, vamos ver o que 2016 me reserva! ;)






sábado, 12 de dezembro de 2015

Um doce vício – A bad trip.

Leia aqui o começo dessa história


Já estava perto de fazer um ano que conheci aquela galera do show do Arctic Monkeys. O único que perdi o contato foi com ele. Aquele grupo no Whats sofreu algumas alterações, pessoas saíram, pessoas entraram, grupos secundários foram criados. Ele mudou de número nesse meio tempo e no fim, não fazia mais parte de nenhum dos grupos.



Um dia, um dos meninos mandou uma mensagem pro grupo assim: "Eu tava pensando aqui, vcs podiam adicionar o Alex* nesse grupo, graças a ele que eu tô aqui". Algumas pessoas sabiam mais ou menos da nossa história e comentaram "Quem é esse? O peguete da Mari?" O silêncio pairou por algumas horas e eu respondi "Adicionem ué".

Mal intencionada, passei o número dele para a administradora do grupo e falei “Isis*, adiciona o Alex* ai”. Ela mandou emoticons de gargalhadas e o adicionou em seguida.

Ele demorou para se manifestar e quando o fez, perguntou quem ia no próximo show que aconteceria em SP em algumas semanas – show esse, que quando ainda éramos o casal do comercial da margarina Doriana, combinamos de ir juntos – respondi: “Eu vou, mas não quero ir com vc”. Eu ainda estava magoada, ele percebeu e nem respondeu.

Eu criei aquela situação, graças a mim ele estava naquele grupo, mas eu não queria admitir, nem pra mim mesma, que eu tinha tramado tudo aquilo, só pra, de alguma forma, chamar a atenção dele.

Fiquei mal depois de ter falado aquilo e mandei uma mensagem no privado pedindo desculpas e ele respondeu “Relaxa, Mari”. Aquelas palavras me deixaram muito intrigada. Ele parecia ter me superado.

No mesmo dia comprei ingresso para o show, no qual eu tinha até desistido de ir depois que brigamos. Mas mudei de idéia, decidi que eu ia naquele show de qualquer jeito e ia encontrar ele. Eu sabia que para esquecê-lo de vez, eu deveria evitar vê-lo, mas alguma coisa me dizia que eu precisava encontra-lo.

Quando faltava apenas uma semana, outro grupo menor foi criado, só com o pessoal que ia no show. E lá estavamos nós dois de novo. Todos começaram a combinar horários, trocar informação de como ia chegar no local, até que ele respondeu uma pergunta minha e assim começamos a nos alfinetar.

Naquela semana, numa manhã chuvosa, indo trabalhar com os meus óculos escuros e um fone no ouvido, começou a tocar “Soldier of love” do Pearl Jam, fazia tantos anos que eu não escutava aquela música, e quando prestei atenção na letra ela dizia "Lay down your arms and surrender to me" (abaixe suas armas e renda-se a mim). Foi quando percebi que não queria aquele clima de guerra entre a gente e baixei a minha guarda.

Apenas um dia antes do show, ele me chamou em mensagem privada, depois de nos cutucarmos pelo grupo de novo, e já foi logo jogando na cara “Vc disse que eu fui a pior coisa que te aconteceu esse ano”. Pedi desculpas por aquelas palavras e uma conversa pacificada começou. Ele disse que queria saber como eu estava, queria saber dos meus planos e eu disse que queria saber dos dele “Amanhã conversamos” – ele finalizou a conversa.

No dia do show todo mundo foi mais cedo, e por ironia do destino – dessa vez, juro que não foi armado – eu e ele fomos os únicos que nos atrasamos e chegamos quase ao mesmo tempo no estádio onde aconteceria o show.

"Alô, Mari, to chegando" – "Ok, já entrei, estou bem na reta da entrada ao lado do gol".

O som das guitarras começaram. Peguei uma cerveja, virei de volta pra frente do palco e comecei a vibrar com a entrada da banda. Estava ansiosa porque ele não chegava. E quase que de surpresa, antes de começar o refrão da primeira música, sinto meus pés levantarem do chão e alguém me envolvendo num confortante abraço e um carinhoso beijo no rosto. Era ele.

Ofegante, ele disse "Vamos mais pra frente". Arrumamos um lugar e nos concentramos no show. Às vezes, comentávamos alguma coisa um com o outro, estávamos claramente sem jeito, mas aquela música  que penetrava em nossos ouvidos ajudou a descontrair. E com o intuito de preparar o terreno perguntei "Não estamos mais brigados?"  "Claro que não" – ele respondeu. 

Passei a mão no cabelo dele e perguntei "Pq vc cortou?" – "Ah pq já estava enchendo o saco cabelo grande". Deslizei a minha mão até a sua nuca, o puxei pra minha direção e nos beijamos.

Como uma pílula calmante, aquele beijo desceu pelo meu esôfago, começou a nadar no meu estômago e logo causou efeitos no meu corpo. Senti um frio na barriga, o abracei forte, ele correspondeu, cheguei mais perto, parecia que nossos corpos iam se fundir. Ah, que alívio sentir ele correndo novamente nas minhas veias. “Por que vc fez isso?” – ele perguntou. Eu não sabia o que responder, não sei se era a palavra certa mas disse “Saudades”.

"Faz quanto tempo? Final de Julho né?" – ele perguntou "Que nos vimos pela última vez?... Sim, final de Julho" – falei.

Enquanto isso a banda tocava uma música melhor que a outra, e parecia não ter fim. Ficamos quase o tempo todo abraçados. Quando começou a chover a banda deu uma pausa, nos abrigamos embaixo da cobertura de um portão. Tentei puxar conversa, saber como ele estava, o que ele andava fazendo da vida mas poucas palavras saíram daquela boca. 

Quando a banda voltou, ele tirou a mochila das costas, a colocou no chão, saiu desorientado sem dar explicação e voltou depois de uns minutos. Ele fez isso três vezes.

Depois de três horas o show chegou ao fim. Encontramos dois amigos dele, mas não conseguimos encontrar a galera do grupo do Whatsapp que tinha chegado lá mais cedo e resolvemos ir os quatro para a Augusta (rua em SP agitada a noite). Começamos a caminhar para encontrar um taxi, mas era impossível, então, paramos num ponto de ônibus.

Enquanto os dois amigos dele se revezavam para dar goles numa garrafa de Gray Goose, ele estava nitidamente em outra dimensão.

Então lembrei que o vi colocando algo na boca, assim que ele chegou no show. “Eu tomei uma coisa quando cheguei” – ele me contou “Eu vi!” – respondi. Enquanto eu o usava para alimentar meu vício, ele se saciava de outra droga, que não era meus beijos, nem a minha presença, nem nada que vinha de mim.

Eu já estava ficando cansada e tudo que eu queria era uma cama, ou um sofá que fosse, pra deitar abraçada com ele e cair no sono. Mas comecei a notar que, mesmo que ele tivesse essa oportunidade, ele não estava pensando nisso.

De repente, ele atravessou a rua, sentou do outro lado da calçada e lá ficou, o amigo bêbado o seguiu. Eu fiquei. O amigo começou a acenar pra mim e gritar “Mari, vem pra cá” mas eu não fui, fiquei observando aquela cena, pela quarta vez naquela noite ele saiu e me deixou ali parada, esperando por ele.

Enquanto isso, o outro amigo estava tentando negociar um taxi do outro lado da avenida, até que conseguiu. Entramos todos apertados no carro, dividindo com mais dois caras que conhecemos no ponto de ônibus e estavam indo para o mesmo lugar. 

"Ela vai no seu colo"  um dos caras falou. "Hã?"  o Alex* respondeu  "Ela... Não é a sua mina?"   o cara repetiu apontando pra mim. "Ah sim!" ele murmurou. Aquela viagem que ele estava tendo parecia não ter fim e eu desisti, aquela noite eu sabia que ele não seria meu.

Usei ele por aproximadamente 10 horas, desde da hora que nos encontramos no show até a manhã seguinte quando ele foi sentido norte para o terminal de ônibus, para voltar pra cidade dele, e eu sentido leste, para voltar pra casa.

Quando nos despedimos no metrô, dei um selinho nele e disse "Tchau"  e ele respondeu "Tchau gatona". Desci daquele trem e imediatamente percebi que aquilo havia morrido, aquela paixão e aquela obsessão que eu tinha por ele havia acabado.

A sensação de estar com ele não foi a mesma que da última vez, ele não me olhou mais com aquele olhar de bobo, não acariciou meu rosto, não me beijou intensamente por diversas vezes, não conversou comigo, nem perguntou quais eram meus planos como ele mesmo disse que queria saber.

Antes daquele show eu estava tão ansiosa, trêmula, cargas de serotonina corriam pelo meu corpo. Eu mal podia acreditar que ia usar aquela droga de novo, depois de tanto tempo sem. Mas a viagem não foi como eu esperava. Naquela madrugada tive uma bad trip.

Uns 3 dias depois do show, eu mandei uma mensagem pra ele "Quanto tempo durou o efeito daquilo que vc tomou?" E ele respondeu que até perto da hora que a gente foi embora.

Nesse momento percebi que ele vive num mundo diferente do meu, que curte as coisas de maneira diferente da minha. E eu não quero alguém ao meu lado que fica em outra realidade o tempo inteiro, que não me enxerga, que não me curte.

Eu ainda não o esqueci. O beijo, o sexo, nossa rebeldia e nossas ideias sempre serão almas gêmeas, mas eu não sou dele e ele não é meu, somos de outras pessoas.

Não muito tempo depois, conheci outro alguém. A altura, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia eram parecidos, mas o gosto musical…


"Quais são as suas bandas preferidas?"  ele me perguntou no primeiro encontro - "Tenho muitas... Rolling Stones, Arctic Monkeys..."  "Não gosto de Arctic Monkeys"  ele me interrompeu - "Ufa!" Suspirei aliviada.


*nomes fictícios 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Um doce vício parte IV


Leia aqui as primeiras partes.

Síndrome de abstinência é o conjunto de modificações orgânicas que se dão em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica. (Wikipédia).

Falta de sono e de apetite, crises de choro, mais vontade de beber e fumar, tédio e dores no peito. Essas foram as modificações que ocorreram no meu organismo por algumas semanas depois que decidi dar início ao meu tratamento de desintoxicação.

Por semanas, toda noite eu ficava várias horas refletindo sobre o que tinha dado errado e quando finalmente caia no sono, sonhava com ele. E quando eu acordava na manhã seguinte, aquela sensação ruim ainda estava lá. Já me apaixonei outras vezes, sabia que uma hora isso ia passar, eu só tinha que ser forte. Então saia de casa para ir trabalhar, usando um óculos escuros e um fone de ouvido no volume máximo. Pisando firme no chão como se ele estivesse embaixo dos meus pés e não pudesse mais me machucar.

Comecei a sair com outros caras, mas todos tinham o mesmo perfil dele. Inconscientemente eu estava tentando substituí-lo, já que eu não tinha ele, eu precisava pelo menos encontrar um analgégico para dor no peito.

Mas as tentativas foram fracassadas. A altura era a mesma, o cabelo caindo no rosto e a rebeldia também. O gosto musical idêntico. “Você foi no show do Arctic Monkeys que teve em SP?” – o cara me perguntou. “Fui sim” – respondi. “Que foda, queria ter ido, eles são muito bons”. – ele disse. “Nossa!” – falei olhando no relógio – “Preciso ir embora, vai fechar o metrô”.

Nenhum deles me fizeram sentir o que eu sentia por ele. Eu bebia e quando chegava em casa depois de ter ficado com alguém, eu chorava descontroladamente. Naquele momento eu era a música Back to Black da Amy “Me and my head high, and my tears dry, get on without my guy”  (Eu, chapada, e com as minhas lágrimas secas, sigo em frente sem o meu homem)

Apesar de saber que ele era imaturo demais e que ia optar pelo caminho mais fácil – que era deixar eu ir embora – eu ainda alimentava a esperança que ele ia lembrar de quando eu me maquiava na frente do espelho e ele ficava me observando sem piscar o olho. Então ia perceber que não veria mais aquela cena e corresse atrás de mim para implorar perdão e pedir que começássemos de novo. 

Alguns meses antes daquela mensagem que cortou nossos laços, uma amiga viu nas cartas de tarô que ele não era pra sempre, mas deveria ficar na minha vida como uma distração. Eu não dei ouvidos porque eu o queria pra sempre ou não o queria mais.

Eu não estava bem, tive uma crise de stress aguda no começo do ano, mexas do meu cabelo chegaram a cair e eu fiquei careca numa pequena parte no topo da cabeça. Tive que tomar anti-depressivo e repensar sobre o estilo de vida que eu estava levando. Apesar de viajar com frequência, eu estava sentindo muita falta de mochilar de verdade e estar longe de casa por meses ou talvez anos. 

Quando ele apareceu na minha vida, eu estava me recuperando dessa crise, e eu acabei depositando a esperança de melhora toda nele. E esse foi meu erro. Por isso eu não queria mais prolongar aquele vício, queria me curar logo.

Eu continuei forte, não voltei atrás, não falei mais com ele. Passaram, semanas, passou um mês, dois meses. Poderiam até checar o histórico do meu celular, eu não havia feito contato algum com ele. Eu estava limpa.

Até que, longe dos olhos vigilantes de todos que sabiam do meu vício, trancada no meu quarto, um dia eu estava ociosa na internet, procurei a página dele no Face, apesar de não sermos mais amigos, ainda consegui ver algumas coisas que estavam abertas. E ele tinha cortado o cabelo e deixado uma barbicha crescer. Que merda, como ele estava lindo!



Me senti como se eu estivesse literalmente internada numa clínica de reabilitação e conseguido drogas com um funcionário corrupto. Tremores tomaram conta do meu corpo e meu coração acelerou. A recaída foi tão forte que desbloqueei ele no Whats.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um doce vício parte III

Leia aqui a parte I e II

As semanas seguintes que se arrastaram depois do nosso confinamento naquele quarto de hotel foram as piores.

Enquanto eu não parava de pensar em cada momento vivido ali e já ansiosa pelo próximo, ele parecia nem se importar. Ficou frio, distante, não respondia mais às minhas mensagens com a mesma frequência, me deixava falando e muito menos mandava um "bom dia" ou "boa noite". Eu me perguntava "Pra onde foi aquele cara que disse que era tonto por mim?"

Talvez eu tenha me deixado levar pelas palavras meigas dele e pela atenção que ele me deu, que não necessariamente significavam que iríamos viver um amor de filme de sessão da tarde. Eu realmente acreditei que eu estava vivendo algo recíproco, mas não estava.

Eu continuei cobrando quando ia ser nosso próximo encontro e as respostas que ele me dava eram como murros nos meus olhos quando as liam.

Parei de me importar, ou fingi que parei, e não o procurei mais. Mas ele dava um jeito de aparecer na minha vida, curtindo alguma coisa no meu Facebook ou comentando meus vídeos no YouTube. Eu cheguei a dizer com todas as letras "Se vc não percebeu, estou tentando desencanar de vc, será que vc pode colaborar?" e a resposta dele foi "Isso me deixa triste" seguido de um emoji de carinha triste. 

Quando morei nos Estados Unidos cuidei de um garotinho de 3 anos, quando eu dava bronca nele a resposta dele era "Isso me deixa triste". Foi ai que percebi que eu estava apaixonada por um cara imaturo que quando se via numa situação que ele não sabia o que fazer ele respondia exatamente a mesma coisa que um garotinho de 3 anos.

Outro feriado se aproximava e ele disse que viria pra SP e se eu queria "dar uma volta". "Talvez. Mais próximo da data a gente combina". Foi a minha resposta.

O feriado chegou, ele sumiu e só foi dar notícias dias depois. Então ele começou um joguinho de me mandar "Oi, td bem?" Ou mandar só uma mensagem chamando meu nome e depois desaparecer por dias.

Eu até tentei manter uma relação sem cobranças, sem ciúmes, sem expectativas, mas eu gostava demais dele pra conseguir fazer isso. Então cansei, fiquei puta, me senti uma palhaça. O que ele queria afinal? Àquela altura pra mim só tinha duas opções, das quais ele não queria escolher nenhuma delas: ficar comigo pra valer ou sumir da minha vida. 

Eu pensava nele desde da hora que eu acordava até a hora de dormir, eu não trabalhava direito, eu não olhava para os lados, fui viajar e ficava pensando que teria sido muito melhor se ele tivesse comigo, ia pra balada e não curtia, saia com amigos e achava um saco. Tudo parecia chato sem ele.

Eu não queria mais sentir aquilo. Não queria mais ser dependente daquela sensação que ele me fazia sentir. Não queria mais perder o foco.

Num dia de TPM mandei a seguinte mensagem em resposta de um “Oi!” que ele mandou "Por favor, não faça mais contato comigo. Vc foi a pior coisa que me aconteceu esse ano." 


Decidi que estava na hora de encarar uma desintoxicação e esquecê-lo. Então comecei uma sessão rehab. Deletei ele do meu Facebook, o bloquiei do Whatsapp e até o bani da página do meu blog. 

Naquela noite meu travesseiro absorveu minhas lágrimas sem reclamar do gosto amargo e salgado.


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