segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Hmmmm Teacher...


Quando eu estava no colegial, tinha uma colega de classe que era apaixonada pelo professor de Física, a fofoca foi se espalhando até que um belo dia, depois da aula dele, a galera resolveu sacanear e trancar os dois na sala de aula. O que aconteceu lá dentro eu não sei até hoje, provavelmente o professor agiu normalmente e apenas pediu para que abrissem a porta e parassem com a brincadeira. Eu achava um clichê ridículo se apaixonar por professor (a) e que ela só estava querendo chamar atenção ou ganhar nota, até que os anos se passaram e quem fica em pé de frente para uma sala de aula cheia de alunos agora sou eu.

Logo quando comecei a dar aula, tive um aluno que era muito simpático mas a simpatia dele começou a ficar demais. No fim da aula, ele queria me acompanhar até o metro, e daí tomou a liberdade de me adicionar no msn, ficava me chamando sendo que não tinha assunto nenhum para falar. Um belo dia, no meio da aula, ouvi algumas alunas dizerem “O Fulano quer convidar a teacher Mari para jantar, né Fulano?”. Logo percebi que estava rolando alguma coisa, mas ele não teve tempo de me fazer nenhum convite porque alguns desistiram do curso e a turma fechou. Ainda bem, não porque era aluno, mas porque não era parecido com o James Franco, nem com o Josh Hartnett (a vaca!).

Algum tempo depois, tive uma turma de pré-adolescentes. Foi um desafio enorme pra mim, eles são relutantes, não querem prestar atenção e te enfrentam até você sair do sério. Mas eu decidi que ia conseguir fazer com que aqueles pestes que estavam saindo da infância gostassem da minha aula. E fiz mesmo! Mas para um dos meninos daquela turma, o meu esforço para conquista-los passou dos limites dentro da mente fértil que um garoto de 13 anos tem. Enquanto os outros passaram a curtir a minha aula ele suspirava toda vez que eu olhava para ele.

A cada aula eu percebia mais a sua admiração – vamos dizer assim – por mim. Um dia estávamos falando a respeito de estações do ano, quando perguntei pro garoto “Você gosta mais do verão ou do inverno?” e ele me responde “Eu gosto mais da teacher”. Não é que eu estava certa, as encaradas que aquele menino me dava não eram mesmo normais.


Depois dessa indireta, que nem eu – que sou uma cara de pau assumida – teria coragem de dar, vieram muitas outras, sem contar as vezes que ele aproveitava quando eu ia em sua mesa tirar dúvidas e pegava na minha mão numa tentativa de acaricia-la. Um tempo depois ele resolveu contar seu segredo para os coleguinhas que, por sua vez, espalharam para o resto da escola. Ouvi de alunos e professores que o tal do menino estava apaixonado por mim. Uma outra professora ouviu ele e os outros coleguinhas de sala, conversando a respeito de como ele poderia declarar seu amor.

Confesso que me senti lisonjeada, mas foi um tanto triste para mim porque percebi que a minha vida amorosa é realmente uma palhaçada, o único cara que quer ser fofo comigo, não é nem um cara, é um menino de 13 anos (kkkkk chorei).

No fim das contas resolvi só ignorar e ficar na minha. Mas ele continuou com aqueles olhares que se podia ver até coraçõezinhos dentro. E no último dia de aula, quando eu contei que eu não iria trabalhar mais naquela escola, ele nitidamente ficou triste e perguntou pra onde eu iria e eu disse “pra fora do Brasil” e ele respondeu “não tem problema, eu te acho”.

De repente me senti na pele daquele professor de Física e percebi que se apaixonar pelo professor (a) não é um clichê ridículo, e que o aluno (a) não está querendo apenas nota ou chamar atenção. Isso faz parte da profissão, algumas pessoas apenas se encantam pela figura que um professor (a) representa e pra falar a verdade, até que é legal ser vítima desse clichê. Espero que na próxima vez o aluno seja, pelo menos, dez anos mais velho.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Into the Wild (América do Sul) Deserto do Atacama

Clique aqui e leia sobre  o começo dessa aventura


31/12/2012

E o dia hoje começou muito cedo. Às quatro da manhã já estavamos de pé esperando a van do tour para irmos ao passeio no Geyser del Tatio. Como em todos os lugares em que passei, esse também foi incrívelmente lindo. Os geysers (a fumaça e água borbulhando saindo dos buraquinhos) são formados quando rios gelados subterrâneos entram em contato com rochas quentes e o que vemos é um verdadeiro espetáculo da natureza. Passamos também pela piscina geotermal, a temperatura da água era de 35°C e fora dela estava – 5°C. A gente podia entrar, se quisesse, mas o frio era demais e eu não tive coragem de ficar de biquini nem por segundos. Eu aconselho quem for fazer esse tour, se preparar para o frio, eu só vesti duas leggings e senti muito frio nas pernas, por isso, eu dava umas voltinhas, tirava foto e corria para a van para me aquecer, depois saia mais um pouquinho, mais alguns flashs e corria novamente para a van... e assim foi.






O passeio do Geysers foi até meio-dia. A van nos deixou de volta no hostel, almoçamos e nos preparamos para o próximo passeio que iria começar às 16h. Que foi o Laguna Cejar e Ojos del Salar. A Laguna Cejar é como o Mar Morto em Israel, salgada que só! Devido a grande quantidade de sal ninguém que entra ali afunda. São 30 metros de profundidade, mas até os mais amadores da natação podem tomar um banho ali sem medo. Ao contrário do frio que passei de manhã, na Laguna estava calor, então pensei “Vamos dar um tibum nesse sal ai”. É divertido, mas não aguentei ficar por muito tempo, eu tinha depilado as axilas no dia anterior e começou a arder (risos). Assim que você sai e o sol te seca, seu corpo fica todinho branco por conta do sal, a sensação de grude é quinze vezes pior do que quando a gente sai do mar. Ainda bem que o nosso guia tinha aqueles jatos de água para a galera se lavar antes de continuar o passeio.

Seguimos o passeio para os Ojos del Salar, onde tem dois lagos que vistos de cima paracem dois olhos. Ali perto tem um enorme salar, onde vimos o pôr do sol, comemos uns petiscos e brindamos com Pisco.

Depois de tudo que eu vi no Atacama comecei a pensar que realmente nada é mais lindo que a natureza, só quem me entende é quem vê, porque a beleza desses lugares é indescritível.


Ojos
Ojos del Salar vistos de cima
Salar de Atacama 




A noite chegou e o passeio terminou, chegamos de volta ao hostel quase nove da noite, e começamos a nos arrumar para o ano novo. Eu e a Foguinho de Palha arranjamos um secador de cabelo era quase 11 da noite, e lá vamos nós lavar as jubas, secar e fazer chapinha – porque tirar foto com o cabelo zuado é mancada.

A dona do hostel fez uma festinha de ano novo, com direito a carneiro na brasa, salada de maionese, vinagrete, arroz branco e muita bebida. A comida deles é bem apimentada, mas eu curto pimenta, então amei! Depois da ceia, fomos dar uma voltinha no centrinho de San Pedro, quer dizer, o centro é uma rua só praticamente, mas só tinha os bêbados muito loucos, as pessoas bonitas estavam em festas pagas, como a gente é mochileira, não tinhamos dinheiro para pagar pra entrar nessas festas, então resolvemos voltar para o hostel. Estavamos tão cansadas, por causa dos passeios, que resolvemos dormir.

Observações e dicas:

Sobre as agências:

Incanorth tours: Essa foi a agência que fiz todos os passeios exceto pelo passeio do Sandboard. Não tive do que reclamar, eles foram pontuais, os guias eram simpáticos e os cafés da manhã foram bons. Tirando o ocorrido do guia que foi parado pela polícia (episódio contado nesse post aqui) o resto foi bem legal.

Infelizmente não me lembro o nome da agência que fizemos o Sandboard, mas é uma agência pequena, que fica bem de frente para a praça. Esse tour também foi massa. Adorei ter feito sandboard pela primeira vez e a combinação do esporte com os Valles foi inesquecível. Os guias são gente boa, e até tinha um que falava português.

Sobre o hostel: Tuyasto

Nota 10. A dona é super simpática e prestativa. O local é limpo e confortável. Tem chuveiro quente e cozinha disponível para que os hospedes cozinhem.

E no primeiro dia do ano de 2013. A Sexy Lady teve que ir embora, pois é piã e trabalha no dia dois de Janeiro (bricadeirinha, Sexy Lady!). Foi muito triste ter que dar tchau para ela depois de tantas aventuras e desventuras que passamos. Enquanto ela partia para o Brasil, a viagem continuaria para mim e para a Foguinho de Palha e nosso próximo destino seria... Salar de Uyuni na Bolívia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Trabalho sem diversão faz de Jack um bobão! (O Iluminado)


Uma das coisas que tive dificuldade para me adaptar de volta ao Brasil foi a questão da diversão. Nos Estados Unidos eu saia muito (claro que o lugar que eu morava era perto de cidade grande), todo fim de semana tinha alguma coisa pra fazer, algumas vezes eu ficava de bode em casa, mas as opções – de graça ou com preço muito simbólico – eram muitas.

Engraçado que mesmo assim, eu vivia reclamando que as baladas fechavam muito cedo, que as festas não tinham música alta, que não podia beber na rua nem na praia, mas eu havia me esquecido que no Brasil tem tudo isso: baladas até 7 da manhã (mas que custam o olho da cara), festas com música alta (mas que tocam pagode, funk e sertanejo), que pode beber na rua e na praia (ah, grande coisa).

Comparado com a minha vida de diversão nos Estados Unidos, aqui não faço muita festa. E me pergunto “Porque não? Se no Brasil, tudo pode e tudo é liberado.” Bom, vou explicar o porquê. Pra ter diversão nos Estados Unidos, gasta-se menos, já no Brasil... haha só um almoço no japonês com os amigos, você desembolsa fácil 60 pau. Bom, aí depende também do que é diversão pra mim e o que é diversão para você, mas vou dizer o conceito de diversão num geral.

Conceito de diversão para pessoas de senso comum é: fazer um churrasco na laje todo domingo, beber cerveja e tocar pagode. Conceito de diversão para pessoas de senso crítico é: viajar (não, Praia Grande, não conta), ir a bares com os amigos e beber boas bebidas, comer fora, ir pra baladas que tocam música boa, assistir shows de suas bandas favoritas, ir ao cinema, ir ao teatro, ir a eventos, passear em parques, comprar, ir a palestras, assistir jogos ao vivo, praticar algum esporte que goste etc etc e etc.


Entenderam? … Se não, vou resumir: pra se divertir de verdade no Brasil tem que enfiar a mão no bolso. Outra questão também é a falta de tempo, o ano passado eu trabalhei feito gente grande, faço o que gosto – sou professora – mas é um trabalho cansativo e requer dedicação. No fim de semana, eu só durmo ou continuo trabalhando – fazendo pesquisas e preparando aulas. E não me venha dizer "Ah Mari, trabalhe menos e se divirta mais" porque no Brasil não existe "trabalhar menos", se eu trabalhar menos eu não consigo pagar nem a conta do meu telefone.

E eu inocente, quando tinha a vida mansa de Aupair, achava que era cansativo...Pufff, não era nada.

No fim das contas, sinto muita falta do agito nos Estados Unidos, no começo eu pensei “Ah, é só questão de tempo, daqui a pouco eu me acostumo e tô badalando todo fim de semana aqui no Brasil”. Já passaram dois anos que eu voltei e até hoje: agitação só uma vez por mês e olhe lá.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Into the Wild (América do Sul) Chegando no Chile

Leia aqui o começo dessa aventura no Peru

Chegando em Arica, tudo que queríamos era achar um hostel baratinho só para tomarmos banho e descansarmos.

A viagem tinha sido super cansativa, o ônibus era de dois andares e pegamos acentos na parte de baixo – a pior merda – o ônibus já tinha vindo de outro lugar e tava lotado de nego peruano. Na hora que entramos no ônibus, quase morremos com o fedor de suor, as janelas estavam suadas e o lugar parecia uma sauna de tanto calor. Meo, nojento!!!! Pra completar os bancos eram muito apertados, ou seja, viajamos a noite toda super mal.

Rodamos um bocado para acharmos um hostel barato, até que achamos, bem perto da rodoviária, chuveiro frio mas beleza, pelo menos tava calor. Deu pra descansar, tomar um banho e organizar nossas malas. À noite pegamos o ônibus destino à San Pedro de Atacama (10 horas de viagem).

Pela manhã – 29/12/12 – chegamos em San Pedro, nosso destino final no Chile. Todos esses dias – desde que saímos de Puno no Peru - viajamos parando em cidades pequenas que não estavam no nosso roteiro turístico, parando somente pra descanso. No total foram 2 noites e 1 dia de viagem para chegarmos finalmente num lugar onde faríamos algum turismo.

Ao descer do ônibus aquela visão de deserto foi um pouco desesperadora, quando vi as ruas de terra e aquela poeira toda pensei na hora “Ai meo Deus, to no meio do nada, não vai ter nada pra fazer, não vai ter Wi-fi, nem balada, nem bar...”. Quando pesquisei sobre o lugar antes da viagem, vi relatos de pessoas contando que era um lugar super bacana e tinha restaurantes, bares, agitação etc, mas a Foguinho de Palha já tinha lido o contrário, que o lugar era desertão mesmo. Bom, meu desespero passou quando achamos o hostel e descobrimos que sim, tinha civilização naquele lugar. Descobrimos onde era a rua principal e fomos pra lá conhecer e procurar as agências para comprar os pacotes para os passeios.

Hora das dicas:

Os passeios são caros. Eu ouvi muita gente dizer que com merreca você conhece fácil nossos países vizinhos, em partes é verdade, se você conseguir uma passagem com desconto, ou com milhas, ficar em hostel ao invés de hotel, comer miojo... sim, você vai economizar uma bela grana. Entretanto, os passeios pelo Atacama, você tem que chorar muito e pesquisar muitas agências antes de comprar para conseguir um preço acessível. Tivemos sorte que conhecemos uma brasileira na rua e ela nos levou na agência que ela tinha comprado os passeios dela, por isso, e também pelo fato de estarmos em três, conseguimos um desconto bem bacana. Fechamos três passeios com essa agência e um com outra. Que foram os seguintes:

30/12: Lagunas Altiplânicas e Laguna de Chaxa: O passeio é das 6h30 até as 14h. Sem dúvidas um dos lugares mais bonitos que já vi. O lugar é muito alto, tem gente que passa mal, eu já estava acostumada desde dos passeios no Perú e também masquei folha de coca o tempo todo, então não tive muitos problemas, às vezes, sentia uma pressão no ouvido, mas passava logo. Na volta desse passeio nossa van foi parada pela polícia, e tivemos que ir para a delegacia, não sabemos qual foi a irregularidade, sei que ficamos lá até que chegou outra van da agência para levarmos de volta. No fim, não foi nada de grave.















No mesmo dia à tarde fizemos o passeio do Sandboard no Valle de la Muerte e Valle de la Luna, que também foi muito legal. Esse passeio vale muito a pena, eu fiquei cagando pra fazer o sandboard, mas depois que você vai a primeira vez, quer ir toda hora, é como ir num brinquedo no parque de diversões, o medo passa. Os Vales são lindos, no fim do passeio os guias levam o grupo no topo de uma das montanhas de terra para ver o pôr do sol e distribuem Pisco – bebida alcoólica típica do Chile – para a galera. Foi surreal!

casal no Valle de la Luna

(to be continued...)

Leia aqui a continuação




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Hmmmm Teacher...


Quando eu estava no colegial, tinha uma colega de classe que era apaixonada pelo professor de Física, a fofoca foi se espalhando até que um belo dia, depois da aula dele, a galera resolveu sacanear e trancar os dois na sala de aula. O que aconteceu lá dentro eu não sei até hoje, provavelmente o professor agiu normalmente e apenas pediu para que abrissem a porta e parassem com a brincadeira. Eu achava um clichê ridículo se apaixonar por professor (a) e que ela só estava querendo chamar atenção ou ganhar nota, até que os anos se passaram e quem fica em pé de frente para uma sala de aula cheia de alunos agora sou eu.

Logo quando comecei a dar aula, tive um aluno que era muito simpático mas a simpatia dele começou a ficar demais. No fim da aula, ele queria me acompanhar até o metro, e daí tomou a liberdade de me adicionar no msn, ficava me chamando sendo que não tinha assunto nenhum para falar. Um belo dia, no meio da aula, ouvi algumas alunas dizerem “O Fulano quer convidar a teacher Mari para jantar, né Fulano?”. Logo percebi que estava rolando alguma coisa, mas ele não teve tempo de me fazer nenhum convite porque alguns desistiram do curso e a turma fechou. Ainda bem, não porque era aluno, mas porque não era parecido com o James Franco, nem com o Josh Hartnett (a vaca!).

Algum tempo depois, tive uma turma de pré-adolescentes. Foi um desafio enorme pra mim, eles são relutantes, não querem prestar atenção e te enfrentam até você sair do sério. Mas eu decidi que ia conseguir fazer com que aqueles pestes que estavam saindo da infância gostassem da minha aula. E fiz mesmo! Mas para um dos meninos daquela turma, o meu esforço para conquista-los passou dos limites dentro da mente fértil que um garoto de 13 anos tem. Enquanto os outros passaram a curtir a minha aula ele suspirava toda vez que eu olhava para ele.

A cada aula eu percebia mais a sua admiração – vamos dizer assim – por mim. Um dia estávamos falando a respeito de estações do ano, quando perguntei pro garoto “Você gosta mais do verão ou do inverno?” e ele me responde “Eu gosto mais da teacher”. Não é que eu estava certa, as encaradas que aquele menino me dava não eram mesmo normais.


Depois dessa indireta, que nem eu – que sou uma cara de pau assumida – teria coragem de dar, vieram muitas outras, sem contar as vezes que ele aproveitava quando eu ia em sua mesa tirar dúvidas e pegava na minha mão numa tentativa de acaricia-la. Um tempo depois ele resolveu contar seu segredo para os coleguinhas que, por sua vez, espalharam para o resto da escola. Ouvi de alunos e professores que o tal do menino estava apaixonado por mim. Uma outra professora ouviu ele e os outros coleguinhas de sala, conversando a respeito de como ele poderia declarar seu amor.

Confesso que me senti lisonjeada, mas foi um tanto triste para mim porque percebi que a minha vida amorosa é realmente uma palhaçada, o único cara que quer ser fofo comigo, não é nem um cara, é um menino de 13 anos (kkkkk chorei).

No fim das contas resolvi só ignorar e ficar na minha. Mas ele continuou com aqueles olhares que se podia ver até coraçõezinhos dentro. E no último dia de aula, quando eu contei que eu não iria trabalhar mais naquela escola, ele nitidamente ficou triste e perguntou pra onde eu iria e eu disse “pra fora do Brasil” e ele respondeu “não tem problema, eu te acho”.

De repente me senti na pele daquele professor de Física e percebi que se apaixonar pelo professor (a) não é um clichê ridículo, e que o aluno (a) não está querendo apenas nota ou chamar atenção. Isso faz parte da profissão, algumas pessoas apenas se encantam pela figura que um professor (a) representa e pra falar a verdade, até que é legal ser vítima desse clichê. Espero que na próxima vez o aluno seja, pelo menos, dez anos mais velho.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Into the Wild (América do Sul) Deserto do Atacama

Clique aqui e leia sobre  o começo dessa aventura


31/12/2012

E o dia hoje começou muito cedo. Às quatro da manhã já estavamos de pé esperando a van do tour para irmos ao passeio no Geyser del Tatio. Como em todos os lugares em que passei, esse também foi incrívelmente lindo. Os geysers (a fumaça e água borbulhando saindo dos buraquinhos) são formados quando rios gelados subterrâneos entram em contato com rochas quentes e o que vemos é um verdadeiro espetáculo da natureza. Passamos também pela piscina geotermal, a temperatura da água era de 35°C e fora dela estava – 5°C. A gente podia entrar, se quisesse, mas o frio era demais e eu não tive coragem de ficar de biquini nem por segundos. Eu aconselho quem for fazer esse tour, se preparar para o frio, eu só vesti duas leggings e senti muito frio nas pernas, por isso, eu dava umas voltinhas, tirava foto e corria para a van para me aquecer, depois saia mais um pouquinho, mais alguns flashs e corria novamente para a van... e assim foi.






O passeio do Geysers foi até meio-dia. A van nos deixou de volta no hostel, almoçamos e nos preparamos para o próximo passeio que iria começar às 16h. Que foi o Laguna Cejar e Ojos del Salar. A Laguna Cejar é como o Mar Morto em Israel, salgada que só! Devido a grande quantidade de sal ninguém que entra ali afunda. São 30 metros de profundidade, mas até os mais amadores da natação podem tomar um banho ali sem medo. Ao contrário do frio que passei de manhã, na Laguna estava calor, então pensei “Vamos dar um tibum nesse sal ai”. É divertido, mas não aguentei ficar por muito tempo, eu tinha depilado as axilas no dia anterior e começou a arder (risos). Assim que você sai e o sol te seca, seu corpo fica todinho branco por conta do sal, a sensação de grude é quinze vezes pior do que quando a gente sai do mar. Ainda bem que o nosso guia tinha aqueles jatos de água para a galera se lavar antes de continuar o passeio.

Seguimos o passeio para os Ojos del Salar, onde tem dois lagos que vistos de cima paracem dois olhos. Ali perto tem um enorme salar, onde vimos o pôr do sol, comemos uns petiscos e brindamos com Pisco.

Depois de tudo que eu vi no Atacama comecei a pensar que realmente nada é mais lindo que a natureza, só quem me entende é quem vê, porque a beleza desses lugares é indescritível.


Ojos
Ojos del Salar vistos de cima
Salar de Atacama 




A noite chegou e o passeio terminou, chegamos de volta ao hostel quase nove da noite, e começamos a nos arrumar para o ano novo. Eu e a Foguinho de Palha arranjamos um secador de cabelo era quase 11 da noite, e lá vamos nós lavar as jubas, secar e fazer chapinha – porque tirar foto com o cabelo zuado é mancada.

A dona do hostel fez uma festinha de ano novo, com direito a carneiro na brasa, salada de maionese, vinagrete, arroz branco e muita bebida. A comida deles é bem apimentada, mas eu curto pimenta, então amei! Depois da ceia, fomos dar uma voltinha no centrinho de San Pedro, quer dizer, o centro é uma rua só praticamente, mas só tinha os bêbados muito loucos, as pessoas bonitas estavam em festas pagas, como a gente é mochileira, não tinhamos dinheiro para pagar pra entrar nessas festas, então resolvemos voltar para o hostel. Estavamos tão cansadas, por causa dos passeios, que resolvemos dormir.

Observações e dicas:

Sobre as agências:

Incanorth tours: Essa foi a agência que fiz todos os passeios exceto pelo passeio do Sandboard. Não tive do que reclamar, eles foram pontuais, os guias eram simpáticos e os cafés da manhã foram bons. Tirando o ocorrido do guia que foi parado pela polícia (episódio contado nesse post aqui) o resto foi bem legal.

Infelizmente não me lembro o nome da agência que fizemos o Sandboard, mas é uma agência pequena, que fica bem de frente para a praça. Esse tour também foi massa. Adorei ter feito sandboard pela primeira vez e a combinação do esporte com os Valles foi inesquecível. Os guias são gente boa, e até tinha um que falava português.

Sobre o hostel: Tuyasto

Nota 10. A dona é super simpática e prestativa. O local é limpo e confortável. Tem chuveiro quente e cozinha disponível para que os hospedes cozinhem.

E no primeiro dia do ano de 2013. A Sexy Lady teve que ir embora, pois é piã e trabalha no dia dois de Janeiro (bricadeirinha, Sexy Lady!). Foi muito triste ter que dar tchau para ela depois de tantas aventuras e desventuras que passamos. Enquanto ela partia para o Brasil, a viagem continuaria para mim e para a Foguinho de Palha e nosso próximo destino seria... Salar de Uyuni na Bolívia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Trabalho sem diversão faz de Jack um bobão! (O Iluminado)


Uma das coisas que tive dificuldade para me adaptar de volta ao Brasil foi a questão da diversão. Nos Estados Unidos eu saia muito (claro que o lugar que eu morava era perto de cidade grande), todo fim de semana tinha alguma coisa pra fazer, algumas vezes eu ficava de bode em casa, mas as opções – de graça ou com preço muito simbólico – eram muitas.

Engraçado que mesmo assim, eu vivia reclamando que as baladas fechavam muito cedo, que as festas não tinham música alta, que não podia beber na rua nem na praia, mas eu havia me esquecido que no Brasil tem tudo isso: baladas até 7 da manhã (mas que custam o olho da cara), festas com música alta (mas que tocam pagode, funk e sertanejo), que pode beber na rua e na praia (ah, grande coisa).

Comparado com a minha vida de diversão nos Estados Unidos, aqui não faço muita festa. E me pergunto “Porque não? Se no Brasil, tudo pode e tudo é liberado.” Bom, vou explicar o porquê. Pra ter diversão nos Estados Unidos, gasta-se menos, já no Brasil... haha só um almoço no japonês com os amigos, você desembolsa fácil 60 pau. Bom, aí depende também do que é diversão pra mim e o que é diversão para você, mas vou dizer o conceito de diversão num geral.

Conceito de diversão para pessoas de senso comum é: fazer um churrasco na laje todo domingo, beber cerveja e tocar pagode. Conceito de diversão para pessoas de senso crítico é: viajar (não, Praia Grande, não conta), ir a bares com os amigos e beber boas bebidas, comer fora, ir pra baladas que tocam música boa, assistir shows de suas bandas favoritas, ir ao cinema, ir ao teatro, ir a eventos, passear em parques, comprar, ir a palestras, assistir jogos ao vivo, praticar algum esporte que goste etc etc e etc.


Entenderam? … Se não, vou resumir: pra se divertir de verdade no Brasil tem que enfiar a mão no bolso. Outra questão também é a falta de tempo, o ano passado eu trabalhei feito gente grande, faço o que gosto – sou professora – mas é um trabalho cansativo e requer dedicação. No fim de semana, eu só durmo ou continuo trabalhando – fazendo pesquisas e preparando aulas. E não me venha dizer "Ah Mari, trabalhe menos e se divirta mais" porque no Brasil não existe "trabalhar menos", se eu trabalhar menos eu não consigo pagar nem a conta do meu telefone.

E eu inocente, quando tinha a vida mansa de Aupair, achava que era cansativo...Pufff, não era nada.

No fim das contas, sinto muita falta do agito nos Estados Unidos, no começo eu pensei “Ah, é só questão de tempo, daqui a pouco eu me acostumo e tô badalando todo fim de semana aqui no Brasil”. Já passaram dois anos que eu voltei e até hoje: agitação só uma vez por mês e olhe lá.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Into the Wild (América do Sul) Chegando no Chile

Leia aqui o começo dessa aventura no Peru

Chegando em Arica, tudo que queríamos era achar um hostel baratinho só para tomarmos banho e descansarmos.

A viagem tinha sido super cansativa, o ônibus era de dois andares e pegamos acentos na parte de baixo – a pior merda – o ônibus já tinha vindo de outro lugar e tava lotado de nego peruano. Na hora que entramos no ônibus, quase morremos com o fedor de suor, as janelas estavam suadas e o lugar parecia uma sauna de tanto calor. Meo, nojento!!!! Pra completar os bancos eram muito apertados, ou seja, viajamos a noite toda super mal.

Rodamos um bocado para acharmos um hostel barato, até que achamos, bem perto da rodoviária, chuveiro frio mas beleza, pelo menos tava calor. Deu pra descansar, tomar um banho e organizar nossas malas. À noite pegamos o ônibus destino à San Pedro de Atacama (10 horas de viagem).

Pela manhã – 29/12/12 – chegamos em San Pedro, nosso destino final no Chile. Todos esses dias – desde que saímos de Puno no Peru - viajamos parando em cidades pequenas que não estavam no nosso roteiro turístico, parando somente pra descanso. No total foram 2 noites e 1 dia de viagem para chegarmos finalmente num lugar onde faríamos algum turismo.

Ao descer do ônibus aquela visão de deserto foi um pouco desesperadora, quando vi as ruas de terra e aquela poeira toda pensei na hora “Ai meo Deus, to no meio do nada, não vai ter nada pra fazer, não vai ter Wi-fi, nem balada, nem bar...”. Quando pesquisei sobre o lugar antes da viagem, vi relatos de pessoas contando que era um lugar super bacana e tinha restaurantes, bares, agitação etc, mas a Foguinho de Palha já tinha lido o contrário, que o lugar era desertão mesmo. Bom, meu desespero passou quando achamos o hostel e descobrimos que sim, tinha civilização naquele lugar. Descobrimos onde era a rua principal e fomos pra lá conhecer e procurar as agências para comprar os pacotes para os passeios.

Hora das dicas:

Os passeios são caros. Eu ouvi muita gente dizer que com merreca você conhece fácil nossos países vizinhos, em partes é verdade, se você conseguir uma passagem com desconto, ou com milhas, ficar em hostel ao invés de hotel, comer miojo... sim, você vai economizar uma bela grana. Entretanto, os passeios pelo Atacama, você tem que chorar muito e pesquisar muitas agências antes de comprar para conseguir um preço acessível. Tivemos sorte que conhecemos uma brasileira na rua e ela nos levou na agência que ela tinha comprado os passeios dela, por isso, e também pelo fato de estarmos em três, conseguimos um desconto bem bacana. Fechamos três passeios com essa agência e um com outra. Que foram os seguintes:

30/12: Lagunas Altiplânicas e Laguna de Chaxa: O passeio é das 6h30 até as 14h. Sem dúvidas um dos lugares mais bonitos que já vi. O lugar é muito alto, tem gente que passa mal, eu já estava acostumada desde dos passeios no Perú e também masquei folha de coca o tempo todo, então não tive muitos problemas, às vezes, sentia uma pressão no ouvido, mas passava logo. Na volta desse passeio nossa van foi parada pela polícia, e tivemos que ir para a delegacia, não sabemos qual foi a irregularidade, sei que ficamos lá até que chegou outra van da agência para levarmos de volta. No fim, não foi nada de grave.















No mesmo dia à tarde fizemos o passeio do Sandboard no Valle de la Muerte e Valle de la Luna, que também foi muito legal. Esse passeio vale muito a pena, eu fiquei cagando pra fazer o sandboard, mas depois que você vai a primeira vez, quer ir toda hora, é como ir num brinquedo no parque de diversões, o medo passa. Os Vales são lindos, no fim do passeio os guias levam o grupo no topo de uma das montanhas de terra para ver o pôr do sol e distribuem Pisco – bebida alcoólica típica do Chile – para a galera. Foi surreal!

casal no Valle de la Luna

(to be continued...)

Leia aqui a continuação




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