domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amor virtual, existe? (Parte 2)... e a palhaçada continua!



Pra quem não leu a parte 1: clique aqui.

Depois de todo lenga lenga, passou dois anos e voltei pro Brasil sem encontrar o palhaço do Babe.

Depois de 3 meses de Brasil, eu estava no msn quando uma pessoa me chama “Hi”. Sim, era ele. Eu estava sem notícias dele desde então. Ele me pediu um milhão de desculpas, que não ter me encontrado foi a maior burrice que ele já cometeu, que ele não estava mais namorando com a Bitch e que ela era uma louca … blá blá blá... engraçado que eu tive a impressão de já ter escutado essa história antes de outro palhaço – sendo irônica. Como já tinha passado a minha raiva eu falei que tudo bem, que eu entendia e ele me adicionou de novo no facebook e também no skype.

Eu estava desempregada e ficava noites inteiras conversando com ele no Skype. Depois da conversa, na manhã seguinte já tinha recado dele no meu face dizendo que tava com saudade. Ele sempre tentava me animar, fazia piadas, contava como tava a vida dele por lá, sobre o trabalho dele etc. Como sempre muito fofo, falava as coisas certas e quando dei por mim estava pensando nele o tempo todo. Eu tentava pensar racionalmente, mas toda noite ele estava lá online me contando os planos que ele tinha pra gente.

Eu ainda estava chateada com a história do último palhaço – que contei nesse post aqui – plus eu ainda estava na fase de achar que tudo no Brasil era uma bosta, principalmente os homens. Ai vem ele e ficava me falando que ia mandar passagem pra eu ir pra lá e coisas do tipo: “Se eu casar com outra pessoa, serei infeliz”, “Se eu acabar com outra pessoa, ela não será nem 50% do que você é”, “Queria que você tivesse aqui agora pra ficarmos abraçadinhos” e a pior de todas foi: “Eu estou realmente tendo sentimentos por vc”.... PORRA, homem não tem noção de que tem coisas que não se fala pra uma mulher carente. Apesar de saber que essas coisas eram só empolgação momentânea, no fundo eu tinha uma esperança que eu seria protagonista daqueles casos de novela em que o casal passa por várias dificuldades mas no fim acabam juntos e felizes.

Mas, um dia, de repente ele sumiu. No facebook dele não tinha nem sinal de vida, ele não estava namorando de novo porque o status ainda tava solteiro, ele não tinha sido tagado em nenhuma foto e não havia recados de nenhuma suposta namorada ou rolo. Se não era outra menina, fiquei sem entender o sumiço. Depois de uns 3 meses sem nos falarmos foi aniversário dele, eu mandei uma mensagem no celular dele. Ele me respondeu agradecendo e dizendo que tava trabalhando bastante e nada mais. Eu já estava com tudo certo para passar férias nos Estados Unidos no fim do ano e já tinha até comentado com ele por cima antes dele sumir – apesar que eu não iria passar nem perto de onde ele mora. Sou um pouco manteiga pra certas coisas, mas uma coisa que não faço é ir atrás de homem, principalmente quando foi o cara que sumiu ou fez alguma coisa errada, sou muito orgulhosa até mesmo quando a errada sou eu. Por isso, depois do aniversário dele, não entrei em contato nem pra perguntar se ele tava vivo.



Uns dois meses depois chegou minha viagem de férias. Em Nova Iorque eu comprei um chip pro celular, era bem no dia de Natal, eu não aguentei e mandei uma mensagem pra ele e ele me ligou 24 horas depois. Ele tava muito idiota, só falava merda, atropelava as palavras, não respondia o que eu perguntava e de novo falando as bobagens que ia comprar uma passagem pra eu ir lá na cidade dele – detalhe: ele estava morando numa cidade mais longe ainda, já perto do Canadá, frio pra caralho – logo vi que o palhaço tava bêbado, então, depois de muito custo e de duas horas de groselha, terminei a conversa – inútel – e fui dormir. Quando foi uma hora da manhã ele me ligou de novo pedindo desculpas pela ligação anterior e dessa vez sim pude ter uma conversa normal e um pouco agradável com ele, mas ele nem tocou no assunto de um possível encontro.

Continuei curtindo a viagem e de vez em quando a gente trocava umas mensagens fofas, mas eu não estava mais me importando e só fui levando na brincadeira mesmo. Nos últimos dias da minha viagem – e depois de uns 5 dias sem ter dado o ar da graça – ele me mandou uma mensagem dizendo que tinha uma ligação perdida minha no cel dele, mas eu não tinha feito nenhuma ligação pra ele, nem sem querer. Eu acho que ele queria só puxar assunto, só que ele me pegou num dia sem paciência e fui meio grossa ai ele começou um ciuminho falando que achava que eu tinha arrumado algum outro americano porque não estava mais dando atenção pra ele. Aaaaah, da licença, né? Ai que fui mais grossa ainda, não respondi se eu tava com alguém e joguei na cara dele que ele também sumia, namorava, arrumava rolo e eu nunca tive nada a ver com isso, por isso minha vida pessoal não interessava à ele. E ai nessa discussão por mensagem descobri que o último sumiço dele realmente foi porque ele tava de rolo com uma menina.

Eu não estava na vibe de ficar discutindo com uma pessoa que nunca tive nada, não devia satisfação e que eu já tinha apostado minhas fichas e perdido, então fingi que não tava nem ai e cortei conversa, ele deve ter ficado com a pulga atrás da orelha e me ligou na mesma hora. E como se nada tivesse acontecido, com aquela voz de cachorro arrependido, ficou puxando conversinha mole, só que eu fui direto ao ponto e falei tudo que eu pensava.

Falei que o que acontecia entre a gente não tinha cabimento e que se ele quisesse mesmo ter me conhecido pessoalmente ele já teria o feito. Que ele nunca fez nenhum esforço pra tornar realidade tudo que ele falava, portanto, o que eu queria era só amizade e que ele não me tratasse mais com fofurisses e que não abrisse a boca pra falar coisas sem nexo. Não fui grossa, falei tudo numa boa e ele ficou sem palavras. Depois de uns minutos de um silêncio constrangedor ele começou a dizer que concordava e que tentou pensar em alguma coisa, mas nunca dava certo, que ele trabalha muito e não ia ter tempo pra ficar comigo. Enfim, foi um papo legal e percebi que nós dois ficamos aliviados e satisfeitos com aquela conversa sincera e sem dramas.

Depois disso fiquei pensando e cheguei a conclusão que tudo não passou de uma paixonite virtual de ambas as partes por vários fatores: nem na minha vida nem na dele tinha espaço pra um relacionamento sério, ainda mais com problemas de distância. No período em que estavamos em contato, tanto eu quanto ele estavamos vivendo diferentes experiências de vida que não cabia fazermos um esforço, mudar de país, ou de cidade pra viver um amor de filme que nem sabiamos se ia dar certo. Outra, ele é três anos e meio mais novo que eu, quando começamos a conversar ele tava na faculdade, tinha acabado de se tornar maior de idade (21 anos nos Estados Unidos), ou seja, super moleque, fazendo idiotisses e descobrindo a vida.

Hoje, ainda tenho ele no facebook, no msn, no skype etc, mas nosso contato é bem raro, ele não entra na net com frequência e quando entra sei que ele dá uma xeretada no meu facebook pra ver what's going on na minha vida, porque vira e mexe aparece “Babe likes your photo” nas minhas notificações.

Já me conformei com uma amizade apenas, penso nele raramente e acho que nos casaremos com pessoas diferentes e que talvez nunca saberemos como somos pessoalmente, mas a vida nos surpreende com acontecimentos inesperados e o mundo dá muitas voltas, então nunca se sabe, por enquanto estou seguindo em frente.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amor virtual, existe? (Parte 1)



Já contei aqui algumas experiências que tive com caras de internet mas, por alguma razão, nunca contei a mais marcante de todas elas, que surgiu meio sem querer. Como a história durou 3 anos - na verdade ainda dura - eu a dividi em 2 partes. Vamos à primeira delas:

Tudo começou antes de eu morar nos Estados Unidos. Ainda no Brasil, em meados de Outubro de 2008, já estava tudo pronto, eu já tinha fechado com a host family e já estava saindo do meu emprego no Brasil. Não pensava em outra coisa a não ser meu embarque para a terrinha do Tio Sam que aconteceria em Janeiro do ano seguinte.

Eu passava o dia inteiro na internet só vendo coisas relacionadas aos Estados Unidos e ao programa de aupair, quando uma outra futura aupair me mandou um link de um site para fazer amizade com pessoas de todo o mundo para treinar o inglês. Eu entrei no tal site, era tipo uma rede social, era possível adicionar pessoas, mandar mensagens, conversar pelo chat normal ou com camera. Achei bacana e comecei a adicionar todo mundo.

Estava sendo bem divertido e útil, pois eu passava o dia falando em inglês com diversas pessoas – apesar de ter encontrado alguns casos bizarros – mas isso é outra história. Até que um dia um garotinho americano me adicionou. Ele era novinho com uma carinha de baby, quem me conhece sabe que eu nem gosto né? - sendo irônica. Por isso o codinome dele será Babe – com “e”, porque ele me chamava assim, owwww!

A primeira vez que conversei com ele no chat, ele escrevia tudo em português, eu estranhei e perguntei se ele falava português e ele disse que não, mas tava se virando com um dicionário e o google tradutor. Owwww, que bonitinho. Adicionei ele também no msn e conversavamos todos os dias. Mas descobri que ele morava numa cidade super longe de onde eu ia morar.

Quando cheguei nos Estados Unidos, comprei meu laptop e passamos a conversar usando a camera, também trocamos telefone – nos Estados Unidos não tem essa palhaçada de tarifa mais cara para ligar pra outros Estados, a tarifa é igual pra ligar pro país inteiro – ele me ligava e também trocavamos mensagens de texto, uma vez ele me mandou uma mensagem que eu até tirei foto de tão bonitinha, e era assim “Mari, you are a brazilliant” - tipo brasileira e brilhante. Às vezes não tinha nem o que falar, mas a gente ligava a cam só pra se ver, ele pegava o violão e ficava tocando, ai pegava o gato que ele tinha no colo e dava um “tchauzinho” com a patinha do gato (hahahahha). Ele era sempre muito fofo. Eu me empolguei tanto que queria ir pra cidade dele conhece-lo, mesmo sendo longe naqueles interiorzão que não tem nada pra fazer.



Mas a empolgação foi diminuindo, como esperado. Eu tinha acabado de chegar no país, comecei a fazer amizade na área, saia bastante, era tudo novo pra mim e então falar com ele na internet perdeu a graça, e ele também sumiu e nosso contato esfriou. Ficamos sem nos falar uns 4 meses. Até que nos encontramos online no msn e conversamos, nessa época eu já tinha feito um Facebook e ele me adicionou, e o nosso contato intensificou novamente. Ele me deixava recadinhos, comentava nas minhas fotos e tal. Mas um dia ele mudou o status dele para “em um relacionamento com Bitch Koor” - esse vai ser o codinome dela. E depois disso nos próximos meses só se via fotos de rolezinhos que ele fazia com essa nova namorada, fiquei triste mas fazer o que?. Nunca mais falei com ele e segui a minha vida com outros americanos gatinhos (porque não sou besta).

Passou um tempão e nesse meio tempo a gente chegou a conversar algumas vezes quando se encontrava online, mas acho que ele ainda tava namorando então não me dava muita moral, mas vira e mexe eu pensava nele, não sei porque raio eu gostava tanto dele.
Até que um dia, uma amiga me convidou para passar uns dias numa cidade – que não tinha muito o que fazer – mas dava pra conhecer Chicago porque era um pouco próximo. Como a hospedagem era de graça e a passagem tava em promoção eu aceitei. Mas eu também havia aceitado o convite por um outro motivo: a cidade que iamos era a cidade do Babe.

Eu não sabia ao certo se ele ainda tava com a Bitch, porque ele havia tirado o status de namorando do Facebook, mas ainda tinha foto dele com a garota e vira e mexe ela deixava recados pra ele. Na dúvida, mandei uma mensagem – bem disfarçada, caso a menina visse – no celular dele avisando que eu estaria por lá. Ele não me respondeu, mas quando faltava apenas 3 dias para a viagem, ele me mandou uma mensagem perguntando quais datas que eu estaria lá e disse que estava brigado com a Bitch, que ela estaria fora da cidade portanto ia me encontrar. Por um lado, não seria legal eu encontra-lo porque ele ainda tava enrolado com a menina, mas na época eu estava com o botão do “foda-se” apertado e pensei “mais de um ano conversando com esse bosta, vou conhece-lo por bem ou por mal”.

Passaram 2 dias que eu estava na cidade dele e nenhum sinal de vida do palhaço . Até que no terceiro dia eu resolvi mandar mensagem “Oi Babe, cheguei.” e a resposta dele foi “Oi Mari, desculpa mas não posso te encontrar. Estou fora da cidade.” AAAAH, que ÓDIO que eu fiquei, eu nem respondi porque se fosse responder ia mandar um “fuck you, fucking jerk”. Ainda bem que eu estava curtindo bastante a viagem, ficamos na casa de um amigo da minha amiga, ele nos recebeu super bem, nos levou para vários lugares bacanas. Até escrevi um post sobre essa viagem.

De volta à DC a primeira coisa que fiz foi deletar ele do Facebook. Eu não sei o que dá em mim, mas quando fico muito puta com um cara minha primeira reação é deletar número de celular da agenda, depois bloquear e excluir do MSN, Facebook, AIM, Orkut e por ai vai. Assim eu garanto que não entrarei em contato num momento de embriaguez e nem ficarei fuçando na vida do palhaço. Na boa, não foi um motivo tão forte pra eu ficar do jeito que fiquei, eu fiquei bufando de raiva, acho que no fundo eu estava apaixonada por um cara da internet, COMO ASSIM?

E não demorou muito até ele perceber que tinha sido excluido, e mandou várias mensagens no meu celular na sequência que diziam “Vc me deletou do Facebook? Porque?” “Me desculpa, eu queria muito ter te encontrado mas fiquei confuso e não quis ser infiel”. Eu respondi curta e grossa “Sinto muito, você já perdeu a oportunidade” e nunca mais falei com ele....

Continua no próximo post! Para ler a parte 2 clique aqui.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amor virtual, existe? (Parte 2)... e a palhaçada continua!



Pra quem não leu a parte 1: clique aqui.

Depois de todo lenga lenga, passou dois anos e voltei pro Brasil sem encontrar o palhaço do Babe.

Depois de 3 meses de Brasil, eu estava no msn quando uma pessoa me chama “Hi”. Sim, era ele. Eu estava sem notícias dele desde então. Ele me pediu um milhão de desculpas, que não ter me encontrado foi a maior burrice que ele já cometeu, que ele não estava mais namorando com a Bitch e que ela era uma louca … blá blá blá... engraçado que eu tive a impressão de já ter escutado essa história antes de outro palhaço – sendo irônica. Como já tinha passado a minha raiva eu falei que tudo bem, que eu entendia e ele me adicionou de novo no facebook e também no skype.

Eu estava desempregada e ficava noites inteiras conversando com ele no Skype. Depois da conversa, na manhã seguinte já tinha recado dele no meu face dizendo que tava com saudade. Ele sempre tentava me animar, fazia piadas, contava como tava a vida dele por lá, sobre o trabalho dele etc. Como sempre muito fofo, falava as coisas certas e quando dei por mim estava pensando nele o tempo todo. Eu tentava pensar racionalmente, mas toda noite ele estava lá online me contando os planos que ele tinha pra gente.

Eu ainda estava chateada com a história do último palhaço – que contei nesse post aqui – plus eu ainda estava na fase de achar que tudo no Brasil era uma bosta, principalmente os homens. Ai vem ele e ficava me falando que ia mandar passagem pra eu ir pra lá e coisas do tipo: “Se eu casar com outra pessoa, serei infeliz”, “Se eu acabar com outra pessoa, ela não será nem 50% do que você é”, “Queria que você tivesse aqui agora pra ficarmos abraçadinhos” e a pior de todas foi: “Eu estou realmente tendo sentimentos por vc”.... PORRA, homem não tem noção de que tem coisas que não se fala pra uma mulher carente. Apesar de saber que essas coisas eram só empolgação momentânea, no fundo eu tinha uma esperança que eu seria protagonista daqueles casos de novela em que o casal passa por várias dificuldades mas no fim acabam juntos e felizes.

Mas, um dia, de repente ele sumiu. No facebook dele não tinha nem sinal de vida, ele não estava namorando de novo porque o status ainda tava solteiro, ele não tinha sido tagado em nenhuma foto e não havia recados de nenhuma suposta namorada ou rolo. Se não era outra menina, fiquei sem entender o sumiço. Depois de uns 3 meses sem nos falarmos foi aniversário dele, eu mandei uma mensagem no celular dele. Ele me respondeu agradecendo e dizendo que tava trabalhando bastante e nada mais. Eu já estava com tudo certo para passar férias nos Estados Unidos no fim do ano e já tinha até comentado com ele por cima antes dele sumir – apesar que eu não iria passar nem perto de onde ele mora. Sou um pouco manteiga pra certas coisas, mas uma coisa que não faço é ir atrás de homem, principalmente quando foi o cara que sumiu ou fez alguma coisa errada, sou muito orgulhosa até mesmo quando a errada sou eu. Por isso, depois do aniversário dele, não entrei em contato nem pra perguntar se ele tava vivo.



Uns dois meses depois chegou minha viagem de férias. Em Nova Iorque eu comprei um chip pro celular, era bem no dia de Natal, eu não aguentei e mandei uma mensagem pra ele e ele me ligou 24 horas depois. Ele tava muito idiota, só falava merda, atropelava as palavras, não respondia o que eu perguntava e de novo falando as bobagens que ia comprar uma passagem pra eu ir lá na cidade dele – detalhe: ele estava morando numa cidade mais longe ainda, já perto do Canadá, frio pra caralho – logo vi que o palhaço tava bêbado, então, depois de muito custo e de duas horas de groselha, terminei a conversa – inútel – e fui dormir. Quando foi uma hora da manhã ele me ligou de novo pedindo desculpas pela ligação anterior e dessa vez sim pude ter uma conversa normal e um pouco agradável com ele, mas ele nem tocou no assunto de um possível encontro.

Continuei curtindo a viagem e de vez em quando a gente trocava umas mensagens fofas, mas eu não estava mais me importando e só fui levando na brincadeira mesmo. Nos últimos dias da minha viagem – e depois de uns 5 dias sem ter dado o ar da graça – ele me mandou uma mensagem dizendo que tinha uma ligação perdida minha no cel dele, mas eu não tinha feito nenhuma ligação pra ele, nem sem querer. Eu acho que ele queria só puxar assunto, só que ele me pegou num dia sem paciência e fui meio grossa ai ele começou um ciuminho falando que achava que eu tinha arrumado algum outro americano porque não estava mais dando atenção pra ele. Aaaaah, da licença, né? Ai que fui mais grossa ainda, não respondi se eu tava com alguém e joguei na cara dele que ele também sumia, namorava, arrumava rolo e eu nunca tive nada a ver com isso, por isso minha vida pessoal não interessava à ele. E ai nessa discussão por mensagem descobri que o último sumiço dele realmente foi porque ele tava de rolo com uma menina.

Eu não estava na vibe de ficar discutindo com uma pessoa que nunca tive nada, não devia satisfação e que eu já tinha apostado minhas fichas e perdido, então fingi que não tava nem ai e cortei conversa, ele deve ter ficado com a pulga atrás da orelha e me ligou na mesma hora. E como se nada tivesse acontecido, com aquela voz de cachorro arrependido, ficou puxando conversinha mole, só que eu fui direto ao ponto e falei tudo que eu pensava.

Falei que o que acontecia entre a gente não tinha cabimento e que se ele quisesse mesmo ter me conhecido pessoalmente ele já teria o feito. Que ele nunca fez nenhum esforço pra tornar realidade tudo que ele falava, portanto, o que eu queria era só amizade e que ele não me tratasse mais com fofurisses e que não abrisse a boca pra falar coisas sem nexo. Não fui grossa, falei tudo numa boa e ele ficou sem palavras. Depois de uns minutos de um silêncio constrangedor ele começou a dizer que concordava e que tentou pensar em alguma coisa, mas nunca dava certo, que ele trabalha muito e não ia ter tempo pra ficar comigo. Enfim, foi um papo legal e percebi que nós dois ficamos aliviados e satisfeitos com aquela conversa sincera e sem dramas.

Depois disso fiquei pensando e cheguei a conclusão que tudo não passou de uma paixonite virtual de ambas as partes por vários fatores: nem na minha vida nem na dele tinha espaço pra um relacionamento sério, ainda mais com problemas de distância. No período em que estavamos em contato, tanto eu quanto ele estavamos vivendo diferentes experiências de vida que não cabia fazermos um esforço, mudar de país, ou de cidade pra viver um amor de filme que nem sabiamos se ia dar certo. Outra, ele é três anos e meio mais novo que eu, quando começamos a conversar ele tava na faculdade, tinha acabado de se tornar maior de idade (21 anos nos Estados Unidos), ou seja, super moleque, fazendo idiotisses e descobrindo a vida.

Hoje, ainda tenho ele no facebook, no msn, no skype etc, mas nosso contato é bem raro, ele não entra na net com frequência e quando entra sei que ele dá uma xeretada no meu facebook pra ver what's going on na minha vida, porque vira e mexe aparece “Babe likes your photo” nas minhas notificações.

Já me conformei com uma amizade apenas, penso nele raramente e acho que nos casaremos com pessoas diferentes e que talvez nunca saberemos como somos pessoalmente, mas a vida nos surpreende com acontecimentos inesperados e o mundo dá muitas voltas, então nunca se sabe, por enquanto estou seguindo em frente.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amor virtual, existe? (Parte 1)



Já contei aqui algumas experiências que tive com caras de internet mas, por alguma razão, nunca contei a mais marcante de todas elas, que surgiu meio sem querer. Como a história durou 3 anos - na verdade ainda dura - eu a dividi em 2 partes. Vamos à primeira delas:

Tudo começou antes de eu morar nos Estados Unidos. Ainda no Brasil, em meados de Outubro de 2008, já estava tudo pronto, eu já tinha fechado com a host family e já estava saindo do meu emprego no Brasil. Não pensava em outra coisa a não ser meu embarque para a terrinha do Tio Sam que aconteceria em Janeiro do ano seguinte.

Eu passava o dia inteiro na internet só vendo coisas relacionadas aos Estados Unidos e ao programa de aupair, quando uma outra futura aupair me mandou um link de um site para fazer amizade com pessoas de todo o mundo para treinar o inglês. Eu entrei no tal site, era tipo uma rede social, era possível adicionar pessoas, mandar mensagens, conversar pelo chat normal ou com camera. Achei bacana e comecei a adicionar todo mundo.

Estava sendo bem divertido e útil, pois eu passava o dia falando em inglês com diversas pessoas – apesar de ter encontrado alguns casos bizarros – mas isso é outra história. Até que um dia um garotinho americano me adicionou. Ele era novinho com uma carinha de baby, quem me conhece sabe que eu nem gosto né? - sendo irônica. Por isso o codinome dele será Babe – com “e”, porque ele me chamava assim, owwww!

A primeira vez que conversei com ele no chat, ele escrevia tudo em português, eu estranhei e perguntei se ele falava português e ele disse que não, mas tava se virando com um dicionário e o google tradutor. Owwww, que bonitinho. Adicionei ele também no msn e conversavamos todos os dias. Mas descobri que ele morava numa cidade super longe de onde eu ia morar.

Quando cheguei nos Estados Unidos, comprei meu laptop e passamos a conversar usando a camera, também trocamos telefone – nos Estados Unidos não tem essa palhaçada de tarifa mais cara para ligar pra outros Estados, a tarifa é igual pra ligar pro país inteiro – ele me ligava e também trocavamos mensagens de texto, uma vez ele me mandou uma mensagem que eu até tirei foto de tão bonitinha, e era assim “Mari, you are a brazilliant” - tipo brasileira e brilhante. Às vezes não tinha nem o que falar, mas a gente ligava a cam só pra se ver, ele pegava o violão e ficava tocando, ai pegava o gato que ele tinha no colo e dava um “tchauzinho” com a patinha do gato (hahahahha). Ele era sempre muito fofo. Eu me empolguei tanto que queria ir pra cidade dele conhece-lo, mesmo sendo longe naqueles interiorzão que não tem nada pra fazer.



Mas a empolgação foi diminuindo, como esperado. Eu tinha acabado de chegar no país, comecei a fazer amizade na área, saia bastante, era tudo novo pra mim e então falar com ele na internet perdeu a graça, e ele também sumiu e nosso contato esfriou. Ficamos sem nos falar uns 4 meses. Até que nos encontramos online no msn e conversamos, nessa época eu já tinha feito um Facebook e ele me adicionou, e o nosso contato intensificou novamente. Ele me deixava recadinhos, comentava nas minhas fotos e tal. Mas um dia ele mudou o status dele para “em um relacionamento com Bitch Koor” - esse vai ser o codinome dela. E depois disso nos próximos meses só se via fotos de rolezinhos que ele fazia com essa nova namorada, fiquei triste mas fazer o que?. Nunca mais falei com ele e segui a minha vida com outros americanos gatinhos (porque não sou besta).

Passou um tempão e nesse meio tempo a gente chegou a conversar algumas vezes quando se encontrava online, mas acho que ele ainda tava namorando então não me dava muita moral, mas vira e mexe eu pensava nele, não sei porque raio eu gostava tanto dele.
Até que um dia, uma amiga me convidou para passar uns dias numa cidade – que não tinha muito o que fazer – mas dava pra conhecer Chicago porque era um pouco próximo. Como a hospedagem era de graça e a passagem tava em promoção eu aceitei. Mas eu também havia aceitado o convite por um outro motivo: a cidade que iamos era a cidade do Babe.

Eu não sabia ao certo se ele ainda tava com a Bitch, porque ele havia tirado o status de namorando do Facebook, mas ainda tinha foto dele com a garota e vira e mexe ela deixava recados pra ele. Na dúvida, mandei uma mensagem – bem disfarçada, caso a menina visse – no celular dele avisando que eu estaria por lá. Ele não me respondeu, mas quando faltava apenas 3 dias para a viagem, ele me mandou uma mensagem perguntando quais datas que eu estaria lá e disse que estava brigado com a Bitch, que ela estaria fora da cidade portanto ia me encontrar. Por um lado, não seria legal eu encontra-lo porque ele ainda tava enrolado com a menina, mas na época eu estava com o botão do “foda-se” apertado e pensei “mais de um ano conversando com esse bosta, vou conhece-lo por bem ou por mal”.

Passaram 2 dias que eu estava na cidade dele e nenhum sinal de vida do palhaço . Até que no terceiro dia eu resolvi mandar mensagem “Oi Babe, cheguei.” e a resposta dele foi “Oi Mari, desculpa mas não posso te encontrar. Estou fora da cidade.” AAAAH, que ÓDIO que eu fiquei, eu nem respondi porque se fosse responder ia mandar um “fuck you, fucking jerk”. Ainda bem que eu estava curtindo bastante a viagem, ficamos na casa de um amigo da minha amiga, ele nos recebeu super bem, nos levou para vários lugares bacanas. Até escrevi um post sobre essa viagem.

De volta à DC a primeira coisa que fiz foi deletar ele do Facebook. Eu não sei o que dá em mim, mas quando fico muito puta com um cara minha primeira reação é deletar número de celular da agenda, depois bloquear e excluir do MSN, Facebook, AIM, Orkut e por ai vai. Assim eu garanto que não entrarei em contato num momento de embriaguez e nem ficarei fuçando na vida do palhaço. Na boa, não foi um motivo tão forte pra eu ficar do jeito que fiquei, eu fiquei bufando de raiva, acho que no fundo eu estava apaixonada por um cara da internet, COMO ASSIM?

E não demorou muito até ele perceber que tinha sido excluido, e mandou várias mensagens no meu celular na sequência que diziam “Vc me deletou do Facebook? Porque?” “Me desculpa, eu queria muito ter te encontrado mas fiquei confuso e não quis ser infiel”. Eu respondi curta e grossa “Sinto muito, você já perdeu a oportunidade” e nunca mais falei com ele....

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