sexta-feira, 18 de março de 2011

A Dança dos Desempregados




Nossa, fazia tempo que eu não entrava nessa dança.Trabalhei 5 anos na mesma empresa e só sai de lá quando fui embarcar para ser  au pair.

E porque que eu fui sair de lá? Para melhorar meu currículo, claro. Porque pessoas que moraram fora costumavam ganhar o dobro que eu ganhava. Bom, feliz da vida passei 2 anos fora, e meus objetivos foram cumpridos:

Fluência no Inglês – ✔
Estudar - ✔
Viagens pelo país – ✔
Maturidade – ✔

Pronto, hora de voltar para a terrinha onde nasci. Esperançosa e orgulhosa, eis minha carta de apresentação:

Prezado senhor (a),

Estou me candidatando à vaga de blá blá blá existente no seu quadro de funcionários.

Morei nos Estados Unidos por dois anos, voltei ao Brasil há pouco tempo e procuro minha recolocação no mercado de trabalho.

Sou formada em Letras, falo inglês fluente e espanhol básico. Fiz diversos cursos de Inglês e Espanhol no exterior. Tenho experiência como blá blá blá...

Me disponho à prestar mais informações.

Atenciosamente,
Mari Proença.

Tudo bem que nunca fui uma CEO, nunca cheguei nem perto disso, mas tenho bom senso e só me candidato à vagas compatíveis com o meu perfil. Se os caras pedem um Gerente de Marketing, não é porque eu já trabalhei como assistente dessa área e comprei pãozinho pro chefe tomar café que eu vou tentar o cargo, pois certamente vão exigir experiência na gerência e formação na área, ou seja, qualificações que eu não tenho. Claro, por isso tenho me candidatado à vagas de: Professora, Secretária, Recepcionista, Analista, Assistente, Auxiliar... e por ai vai. Alguma coisa que se relacione com o meu perfil profissional, mas não esperava que os salários tavam tão ruíns.

A questão é a seguinte, eu me cadastrei à diversas vagas de Secretária – PS: o salário de uma Secretária Bilíngue, bilíngue mesmo, que tem que falar com os caras lá na gringa, é de R$2.000 à R$5.000 reais – as exigências básicas são: Formação em Letras ou Secretariado, Inglês fluente e experiência na função. Putz, não tenho experiência, apesar de conhecer rotinas administrativas, nunca fui uma secretária, mas “pulei essa parte” e me candidatei mesmo assim, pois minha pretenção salarial era 2 mil. Conclusão: nenhum contato.

Pensei “tenho que baixar minha bolinha porque ser Secretária não vai rolar”. Comecei a dar mais ênfase pras vagas de professora, que na verdade foi a minha primeira opção até ir numa entrevista no CNA...

Cheguei lá e fiz uma prova de 1 hora e meia de duração, depois da prova o Coordenador da Unidade foi conversar comigo...tudo em inglês.

Mari: blá blá blá em inglês.
Entrevistador: Hmmmm, really?
Mari: Yes, mais blá blá blá em inglês.
Entrevistador: Nice. Why do you want to be a teacher?
Mari: Blá blá blá Wiskas sachê.
Entrevistador: ….zzzzzzz...zzzzzz....zzzz

O cara me mostrou toda a escola e me explicou como era o processo seletivo: “Bom, depois que eu pegar o resultado dessa prova que você acabou de fazer, eu vou te ligar, ai você comparece aqui novamente e apresenta uma aula pra mim, se eu aprovar sua aula, você passará por um treinamento eliminatório de uma semana, passando pelo treinamento, você apresentará uma aula para os funcionários lá do treinamento, eles aprovando sua aula, a gente vai ver quais classes vamos te dar e você começa a trabalhar.”

Ok, processo um pouco complicado, mas é hora de saber os benefícios, ai que foi a decepção, eles pagavam 11 reais por hora/aula, 70 reais de vale refeição (Seee você trabalhar um X de horas lá por mês), vale transporte e assitência médica. Bom... era certeza absoluta que ele não ia me dar turma de alunos suficiente para que eu pudesse pelo menos ganhar mais do que eu ganhava antes de embarcar pra Terrinha do Tio Sam. Fora que era bem provável que eu pegasse uns horários assim: Segunda e Quarta classes das 8h às 10h pausa depois das 15h às 17h... A Unidade era em Santana, o que que eu ia fazer nesses buracos de horário? Voltar pra casa e gastar mais condução... Tcs Tcs Tcs...sem condições.

Convencida que professor é uma profissão ingrata, comecei a me cadastrar em vagas para Recepcionista Bilíngue, Agente de Turismo Bilíngue, Atendimento ao Cliente Bilíngue, Assistente de sei lá o que Bilíngue, C#@$lho a Quatro Bilíngue... Qualquer coisa que eu pudesse aproveitar todo o rolê que dei nos Estados Unidos para aprender o maldito do Inglês.

Recebi alguns contatos e percebi que, eu só obtia retorno de vagas que exigiam menos do que o meu currículo oferece, por exemplo, vagas que exigem só ensino médio ou superior cursando, sendo que eu tenho superior completo, ou vagas que exigem inglês intermediário, sendo que meu inglês é fluente. E claro, para exigências poucas...salário baixo. Nada feito!

No Infojobs, toda vaga que eu me candidato tem a observação no rodapé “ + de 50 pessoas já se candidataram nessa vaga”. O que acontece é que as pessoas precisam trabalhar e quando não conseguem o emprego dos sonhos, começam a apelar. Por isso, uma vaga de Recepcionista que exige inglês intermediário e o cara vê o meu currículo, é mais que lógico que ele vai ligar pra mim, que fiz Inglês desde que o Brasil foi descoberto e morei fora, e não pra uma candidata que tá fazendo cursinho no Wizard. Da mesma forma que uma vaga de Secretária que exige experiência e inglês fluente, o cara não vai me ligar, porque vai ter mais de 50 candidatos com as mesmas qualificações que as minhas plus experiência na área.

Moral da história: eu continuo tentando...pois sou brasileira e não desisto nunca, e vocês que não estão na dança dos desempregados, segurem seus empregos e façam de tudo pra sempre incluir algo a mais no seu currículo, porque quando você pensa que é o fodão... pode apostar que tem um concorrente mais foda que você.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Dança dos Desempregados




Nossa, fazia tempo que eu não entrava nessa dança.Trabalhei 5 anos na mesma empresa e só sai de lá quando fui embarcar para ser  au pair.

E porque que eu fui sair de lá? Para melhorar meu currículo, claro. Porque pessoas que moraram fora costumavam ganhar o dobro que eu ganhava. Bom, feliz da vida passei 2 anos fora, e meus objetivos foram cumpridos:

Fluência no Inglês – ✔
Estudar - ✔
Viagens pelo país – ✔
Maturidade – ✔

Pronto, hora de voltar para a terrinha onde nasci. Esperançosa e orgulhosa, eis minha carta de apresentação:

Prezado senhor (a),

Estou me candidatando à vaga de blá blá blá existente no seu quadro de funcionários.

Morei nos Estados Unidos por dois anos, voltei ao Brasil há pouco tempo e procuro minha recolocação no mercado de trabalho.

Sou formada em Letras, falo inglês fluente e espanhol básico. Fiz diversos cursos de Inglês e Espanhol no exterior. Tenho experiência como blá blá blá...

Me disponho à prestar mais informações.

Atenciosamente,
Mari Proença.

Tudo bem que nunca fui uma CEO, nunca cheguei nem perto disso, mas tenho bom senso e só me candidato à vagas compatíveis com o meu perfil. Se os caras pedem um Gerente de Marketing, não é porque eu já trabalhei como assistente dessa área e comprei pãozinho pro chefe tomar café que eu vou tentar o cargo, pois certamente vão exigir experiência na gerência e formação na área, ou seja, qualificações que eu não tenho. Claro, por isso tenho me candidatado à vagas de: Professora, Secretária, Recepcionista, Analista, Assistente, Auxiliar... e por ai vai. Alguma coisa que se relacione com o meu perfil profissional, mas não esperava que os salários tavam tão ruíns.

A questão é a seguinte, eu me cadastrei à diversas vagas de Secretária – PS: o salário de uma Secretária Bilíngue, bilíngue mesmo, que tem que falar com os caras lá na gringa, é de R$2.000 à R$5.000 reais – as exigências básicas são: Formação em Letras ou Secretariado, Inglês fluente e experiência na função. Putz, não tenho experiência, apesar de conhecer rotinas administrativas, nunca fui uma secretária, mas “pulei essa parte” e me candidatei mesmo assim, pois minha pretenção salarial era 2 mil. Conclusão: nenhum contato.

Pensei “tenho que baixar minha bolinha porque ser Secretária não vai rolar”. Comecei a dar mais ênfase pras vagas de professora, que na verdade foi a minha primeira opção até ir numa entrevista no CNA...

Cheguei lá e fiz uma prova de 1 hora e meia de duração, depois da prova o Coordenador da Unidade foi conversar comigo...tudo em inglês.

Mari: blá blá blá em inglês.
Entrevistador: Hmmmm, really?
Mari: Yes, mais blá blá blá em inglês.
Entrevistador: Nice. Why do you want to be a teacher?
Mari: Blá blá blá Wiskas sachê.
Entrevistador: ….zzzzzzz...zzzzzz....zzzz

O cara me mostrou toda a escola e me explicou como era o processo seletivo: “Bom, depois que eu pegar o resultado dessa prova que você acabou de fazer, eu vou te ligar, ai você comparece aqui novamente e apresenta uma aula pra mim, se eu aprovar sua aula, você passará por um treinamento eliminatório de uma semana, passando pelo treinamento, você apresentará uma aula para os funcionários lá do treinamento, eles aprovando sua aula, a gente vai ver quais classes vamos te dar e você começa a trabalhar.”

Ok, processo um pouco complicado, mas é hora de saber os benefícios, ai que foi a decepção, eles pagavam 11 reais por hora/aula, 70 reais de vale refeição (Seee você trabalhar um X de horas lá por mês), vale transporte e assitência médica. Bom... era certeza absoluta que ele não ia me dar turma de alunos suficiente para que eu pudesse pelo menos ganhar mais do que eu ganhava antes de embarcar pra Terrinha do Tio Sam. Fora que era bem provável que eu pegasse uns horários assim: Segunda e Quarta classes das 8h às 10h pausa depois das 15h às 17h... A Unidade era em Santana, o que que eu ia fazer nesses buracos de horário? Voltar pra casa e gastar mais condução... Tcs Tcs Tcs...sem condições.

Convencida que professor é uma profissão ingrata, comecei a me cadastrar em vagas para Recepcionista Bilíngue, Agente de Turismo Bilíngue, Atendimento ao Cliente Bilíngue, Assistente de sei lá o que Bilíngue, C#@$lho a Quatro Bilíngue... Qualquer coisa que eu pudesse aproveitar todo o rolê que dei nos Estados Unidos para aprender o maldito do Inglês.

Recebi alguns contatos e percebi que, eu só obtia retorno de vagas que exigiam menos do que o meu currículo oferece, por exemplo, vagas que exigem só ensino médio ou superior cursando, sendo que eu tenho superior completo, ou vagas que exigem inglês intermediário, sendo que meu inglês é fluente. E claro, para exigências poucas...salário baixo. Nada feito!

No Infojobs, toda vaga que eu me candidato tem a observação no rodapé “ + de 50 pessoas já se candidataram nessa vaga”. O que acontece é que as pessoas precisam trabalhar e quando não conseguem o emprego dos sonhos, começam a apelar. Por isso, uma vaga de Recepcionista que exige inglês intermediário e o cara vê o meu currículo, é mais que lógico que ele vai ligar pra mim, que fiz Inglês desde que o Brasil foi descoberto e morei fora, e não pra uma candidata que tá fazendo cursinho no Wizard. Da mesma forma que uma vaga de Secretária que exige experiência e inglês fluente, o cara não vai me ligar, porque vai ter mais de 50 candidatos com as mesmas qualificações que as minhas plus experiência na área.

Moral da história: eu continuo tentando...pois sou brasileira e não desisto nunca, e vocês que não estão na dança dos desempregados, segurem seus empregos e façam de tudo pra sempre incluir algo a mais no seu currículo, porque quando você pensa que é o fodão... pode apostar que tem um concorrente mais foda que você.

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