quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Último post do ano: O Murphy resolveu me adotar!


Em inglês "Anything that can go wrong, will go wrong". Em Português “Se alguma coisa pode dar errado, dará”. Esse definitivamente é o lema do meu fim de ano.

Eu já nunca fui de simpatizar com festas de fim de ano, principalmente com o Natal. Essa deveria ser uma época legal, que a gente passa com a família, ganha presentes, come comida gostosa, tira férias, viaja, mas pra mim acontece tudo ao contrário. No fim de todo ano sempre alguma coisa dá errado e acaba com as minhas festas. O Murphy sempre resolve me atormentar nessa época do ano.

Pra começar, Natal sem família já é depressivo. Mas como eu não posso fazer nada, porque a minha família tá a 7 mil kilometros de distância, tento me distrair da melhor maneira que posso. Esse ano eu estava feliz porque recebi um convite super fofo, dos pais do cara que eu estava ficando pra passar Natal com eles. Como eu já sabia que eles eram gente boa (porque os conheci numa outra ocasião) eu comprei presentes e roupa nova, entrei totalmente no clima. Só que eu esqueci que “Se alguma coisa pode dar errado, dará” e assim foi. Dois dias antes do Natal, o palhaço terminou comigo, sem mais nem menos... Essa história é bem longa, numa outra oportunidade eu conto melhor. No fundo no fundo eu sempre soube que estava me metendo em encrenca ficando com esse palhaço, mas estava indo tudo bem e eu resolvi levar adiante, só que o Murphy não deixou barato e logo aplicou a lei dele pra cima de mim. Conclusão, passei um Natal até que bacana com a minha host family, eles me trataram super bem e ganhei presentes legais, mas nada me animou muito, fiquei muito chatiada o feriado de Natal todo.

Pra não ficar sozinha, resolvi sair de balada com uma amiga e dois amigos dela no dia 25 a noite. Tudo estava meio morto e borocoxo, mas encontramos um lugar aberto. Não tinha muita gente e o único cara que puxou a minha amiga pra dançar era muito zuado, ela se recusou e ele disse “não se preocupe, eu não quero nada, eu sou viado, meu namorado tá bem ali ó”, então ela continuou a dançar. Enfim, estava tudo bem até a hora de ir embora. Deixamos os casacos e as bolsas em cima duma mesa, mas pra nossa surpresa, a bolsa da minha amiga e meu casaco tinham sumido. Ela quem estava dirigindo, e só não carregava a chave do carro dentro na bolsa, como também a chave reserva.

Um frio de 0 grau e eu usando uma camisa de botão emprestada, saimos da balada sem saber o que fazer. Na esperança que alguém tinha pego por engano, tentamos ligar para o celular dela (que também estava dentro da bolsa) mas ninguém atendia. Então resolvemos largar o carro dela lá e pegar um taxi. Eu que fiquei com a conta do taxi porque ninguém mais tinha cash – guarda essa informação que vai ser importante mais pra frente – então, chegamos em casa, eu peguei o meu carro e fui levar a minha amiga e os 2 meninos em casa – detalhe: eles moravam a 50 minutos de distância da minha casa.

Estava previsto para cair uma tempestade de neve que começaria as 4 da manhã daquele dia, então fui leva-los e voltei correndo, com medo de pegar neve pelo caminho. Cheguei em casa tão cansada, mas tão cansada, que tirei a calça jeans e o sapato e dormi com a roupa de baixo toda e de maquiagem.

No dia seguinte, um dos meninos (que estava com a gente, que apelidarei de Ogro), ficou de leva-la onde o carro estava largado, e de lá ela ligaria pra um chaveiro. Mas ele fez corpo mole e não a levou, ela teve que ligar para outra amiga que fez esse enorme favor. Depois de 3 horas, muito trabalho e 250 dólares mais pobre (sim, ela teve que pagar tudo isso para fazer outra chave) finalmente ela pegou o carro e voltou pra casa. Nisso, ela viu no Facebook que um cara enviou uma mensagem pra ela dizendo que estava com a bolsa e o casaco. Ela me ligou e nós fomos num restaurante encontrar o imbecil que disse que havia pego as nossas coisas por engano.

O cara apareceu, entregou nossas coisas, pediu desculpas e vazou... quando ele virou as costas minha amiga disse “Mari, esse cara é o namorado do viado que dançou comigo”. E concluímos que aquele bixa infeliz tinha pegado nossas coisas de propósito porque deve ter ficado com ciúmes do namoradinho dele ter dançado com a minha amiga. A raiva foi imensa, principalmente para ela que gastou mô grana, mas pelo menos ela recuperou a bolsa, e eu o meu casaco.

Essa amiga ia fazer uma festa na casa dela para o Ano Novo, mas essa história influenciou em tudo. Primeiro porque ela ia dar um jantar, mas depois do arrombo no bolso de 250 dólares, ela ficou sem grana. E também o menino que fez corpo mole para ajudar é roomate dela, então ela ficou com raiva dele, desanimou da festa e achou melhor cancelar. Eu ia deixar a história do taxi quieta – lembra que fui eu que paguei o taxi? – pois então, mas como o menino deu mancada com ela, eu falei “Amiga, cobra o dinheiro do taxi do Ogro e pega pra você”. E ela cobrou, sabe o que ele respondeu?... “Eu gastei 160 dólares naquela noite, e paguei um monte de cervejas para a Mari, não vou pagar taxi nenhum”. O Ogro havia me pagado 2 cervejas Bud Light, a mais barata do mercado, e eu não pedi, ele que ofereceu. Falei pra ela deixar pra lá, e por isso escolhi o apelido de Ogro.

Bom, para o Ano Novo, nós tinhamos algumas opções além da festa na casa dela. Uma festa numa casa no lago, uma outra festa num hotel em Baltimore e uma balada em Arlington. No fim, a festa na casa do lago miou, a festa no hotel também e quando fomos pesquisar a balada, o ingresso havia aumentado de preço. Puta quel pareu, o que falta mais pra dar errado nessa porcaria de festas de fim de ano? Claro que eu vou arrumar algo pra fazer, mas se o Murphy continuar na minha bota, vou acabar sozinha no meio da rua soltando fogos, e acabar presa, porque nem pra comemorar Ano Novo pode se fazer barulho nesse país.

Ah, já ia me esquecendo: HAPPY NEW YEAR, EVERYBODY! I GUESS...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tá chegando a hora...


E só me resta 1 mês na terrinha do Tio Sam. Nessa reta final é hora de pensar num monte de coisas antes de partir, como por exemplo, a gastação de dinheiro. Me ferrei duas vezes, porque além dos presentes de Natal para a galera daqui, comprei algumas lembrancinhas, coisas para vender e coisas pra mim, claro. Tenho que separar as roupas que vou jogar fora, as tranqueiras que tenho que não cabe na mala, nos casacos e botas que eu comprei mas não usarei em hipótese nenhuma no Brasil e por ai vai.

Fazer as malas é complicado, só não vou pagar excesso de bagagem porque uma amiga (santa) tá indo pro Brasil com poucas malas e vai levar algumas das minhas coisas. Mas essa parte pra mim não é tão complicada. O mais doloroso mesmo é o adeus. Dizer tchau pra a Host Family, para as crianças que me pentelharam por todo esse tempo, para os amigos que fiz aqui, para a diversão, para as estações de ano tão bem definidas, para as compras – é tão barato que qualquer um pode ter roupas de marca e eletrônicos de última geração - , pro carro dahora que eu dirijo, para meu quarto – que apesar de não ser muito legal é grande e só meu – pro palhacinho que eu tô pegando e me apeguei. Enfim, para essa vida sofrida, mas boa e divertida.

Já escrevi posts a respeito de ficar ou não ficar nos Estados Unidos, mas só agora que eu estou tendo a noção do que é o desespero nessa hora. É uma sensação inexplicável, a gente fica feliz e triste ao mesmo tempo.

Eu estou aqui faz dois anos direto, estou com uma saudade imensa da minha família, dos meus amigos, da comida, do clima, até de ouvir “Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”, no metro de São Paulo, eu tô com saudade. Muita coisa mudou no Brasil desde que eu mudei pros Estados Unidos, minha irmã casou, vou ser tia, meus pais mudaram de casa e até o presidente do Brasil vai ser outro quando eu chegar. Muitas novidades esperam por mim e que me fazem ansiosa pra ir embora. Já me acostumei com a idéia de ir embora, já comecei a fazer as malas, e minha cabeça já ta lá no Brasil, no Verão, nas baladas, na minha família, no meus amigos, nos botecos da Augusta... aaah, que saudade.

Ao mesmo tempo o sentimento de adeus é terrível. Morar 2 anos fora me fez criar vínculos fortes com o país onde vivi muitas coisas novas, aprendi coisas diferentes, conheci muita gente, até meu estômago acostumou com as junk foods e o meu corpo com o tempo de muito frio no Inverno e muito calor no Verão. Essa experiência foi com certeza uma das melhores da minha vida até agora e que eu nunca vou esquecer. Estou indo embora, mas não sei o que acontecerá no futuro, minhas portas estão abertas para voltar se eu achar que vale a pena.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Você teria uma Au pair?


Conversando com uma amiga, começamos um assunto sobre formar uma família, acabamos caindo no assunto Você teria uma Au pair? e concluimos que por mais que tivessemos uma penca de filhos, uma Aupair não seria uma solução. Colocar gente estranha dentro de casa é mesmo um costume americano, eu não acho nada normal conhecer uma pessoa pela internet de outro país e trazer pra morar na sua casa. Mas não é só pelo fato de que essa mania não faz parte da minha cultura, mas também tem outros motivos pelo qual nós não fariamos isso.

As Au pairs tem acesso a tudo da vida da host family: correspondência que eles esquecem aberta em cima do balcão da cozinha, brigas de família, casa mal arrumada, louça mal lavada, cueca suja que o host esquece no banheiro depois de tomar banho, mimos entre o casal e por ai vai, a intimidade da família vai por água abaixo.

Fora isso, também tem as manias de cada Au pair: comer no meio da noite e fazer barulho na cozinha, chegar bêbada da balada – e fazer barulho, esquecer a chave da porta e ter que ligar dentro da casa pra pedir pra abrir, esquecer gilette usada ou roupa suja no banheiro, quarto bagunçado, falar alto no telefone, e uma infinidade de coisas que todos nós temos e a host family também tem que aceitar.

Eu e as meninas que ando já aprontamos cada uma que se as host families descubrissem pediriam rematch na hora e olha que nós somos um grupo de Aupair que tem noção das coisas. Fico sabendo de cada história que até Deus duvida (que nem diz minha mãe).

Acho que a minha primeira cagadinha foi levar multa por excesso de velocidade, eu estava com o menino de 2 anos dentro do carro, por isso, resolvi ficar quietinha, pagar a multa sem falar pro meus hosts. Eles nunca descobriram. Depois dessa multa vieram mais trocentas...dessas só contei de uma porque não era tão grave. Com o tempo fiquei mais abusadinha, uma bela noite, bebi pra cassete e achei que tava sussa pra dirigir, quando peguei o carro e vi que tava enxergando 2 faróis, 2 calçadas e ainda por cima embassado, eu notei que o nível de álcool ainda tava alto, tive muita sorte de chegar em casa sem nenhuma polícia ter me parado, se não, voltaria pro Brasil fichada nos Estados Unidos.

Toda vez que fiquei sozinha aprontei alguma, já trouxe várias amigas para fazer clube da luluzinha, comemos a comida deles, bebemos, até dançamos em cima do balcão da cozinha. Outra vez, saimos de balada e voltamos todas bêbadas, deixei todo mundo dormir em casa, coloquei amiga pra dormir até na cama das crianças.

No Verão desse ano minha família viajou, e fui eu inventar de fazer um churrasco em casa, deu até polícia, já contei aqui sobre essa festa. Quando meus hosts chegaram de viagem, eu fiquei com a bunda na mão (pra não falar outra coisa) com medo de algum vizinho ir fofocar, por sorte, eles nunca souberam. Não satisfeita, numa segunda vez que eles foram viajar, eu dei uma festinha na casa, fiquei mais louca que o bozo e até deixar um amigo acender cigarro dentro da casa eu deixei, sorte que uma amiga sóbrea viu e mandou ele sair.

Outro dia cheguei da balada bêbada de madrugada. Estava segurando um monte de sacolas. Parei na cozinha pra beliscar alguma coisa (coisa que jamais faço sobrea porque faz barulho), derrubei as sacolas todas no chão, coloquei coisa pra esquentar no microondas, quando fui descer pro meu quarto, caí nas escadas e consequentemente as sacolas foram todas pro chão e junto comigo, sairam rolando até o último degrau. Ou seja, naquela noite a casa inteira acordou.

Já bati o carro feio, já dei muitos raladinhos leves também, já fiquei sem gasolina no meio da rua, já deu pipino no carro de amigas na frente da minha casa e no fim eu tive que pedir uma mãozinha para o meu host. Já dei uns amassos dentro do carro deles com um cara da Navy que até um tag do uniforme dele caiu atrás do banco e eu fui descobrir depois, minha host pegou o carro na manhã seguinte, mas ainda bem que ninguém viu.

Bom, presepadas é o que não faltam. As minhas amigas também já aprontaram várias parecidas (ou até piores). Uma delas foi encontrar um peguete no bar, os dois beberam tanto que ela resolveu leva-lo pra casa escondido - a maioria das Aupairs não são autorizadas a levar homem dentro de casa - no dia seguinte ela não ia trabalhar, então os dois ficaram bem quietinhos até todo mundo da casa sair, e ai o menino foi embora. Uma outra amiga minha deu uma festa num fim de semana que ficou sozinha em casa, a festa foi a maior pegação, todo mundo ficou louco de bebida e pegou alguém. Teve um casal que foi dar umas no quarto dos host, e outro no quarto das crianças.

Tem histórias que não acabam mais, e isso que somos o grupo das mais comportadas, imagina as outras. Você acha que depois dessa experiência eu teria uma Au pair? JAMAIS.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Último post do ano: O Murphy resolveu me adotar!


Em inglês "Anything that can go wrong, will go wrong". Em Português “Se alguma coisa pode dar errado, dará”. Esse definitivamente é o lema do meu fim de ano.

Eu já nunca fui de simpatizar com festas de fim de ano, principalmente com o Natal. Essa deveria ser uma época legal, que a gente passa com a família, ganha presentes, come comida gostosa, tira férias, viaja, mas pra mim acontece tudo ao contrário. No fim de todo ano sempre alguma coisa dá errado e acaba com as minhas festas. O Murphy sempre resolve me atormentar nessa época do ano.

Pra começar, Natal sem família já é depressivo. Mas como eu não posso fazer nada, porque a minha família tá a 7 mil kilometros de distância, tento me distrair da melhor maneira que posso. Esse ano eu estava feliz porque recebi um convite super fofo, dos pais do cara que eu estava ficando pra passar Natal com eles. Como eu já sabia que eles eram gente boa (porque os conheci numa outra ocasião) eu comprei presentes e roupa nova, entrei totalmente no clima. Só que eu esqueci que “Se alguma coisa pode dar errado, dará” e assim foi. Dois dias antes do Natal, o palhaço terminou comigo, sem mais nem menos... Essa história é bem longa, numa outra oportunidade eu conto melhor. No fundo no fundo eu sempre soube que estava me metendo em encrenca ficando com esse palhaço, mas estava indo tudo bem e eu resolvi levar adiante, só que o Murphy não deixou barato e logo aplicou a lei dele pra cima de mim. Conclusão, passei um Natal até que bacana com a minha host family, eles me trataram super bem e ganhei presentes legais, mas nada me animou muito, fiquei muito chatiada o feriado de Natal todo.

Pra não ficar sozinha, resolvi sair de balada com uma amiga e dois amigos dela no dia 25 a noite. Tudo estava meio morto e borocoxo, mas encontramos um lugar aberto. Não tinha muita gente e o único cara que puxou a minha amiga pra dançar era muito zuado, ela se recusou e ele disse “não se preocupe, eu não quero nada, eu sou viado, meu namorado tá bem ali ó”, então ela continuou a dançar. Enfim, estava tudo bem até a hora de ir embora. Deixamos os casacos e as bolsas em cima duma mesa, mas pra nossa surpresa, a bolsa da minha amiga e meu casaco tinham sumido. Ela quem estava dirigindo, e só não carregava a chave do carro dentro na bolsa, como também a chave reserva.

Um frio de 0 grau e eu usando uma camisa de botão emprestada, saimos da balada sem saber o que fazer. Na esperança que alguém tinha pego por engano, tentamos ligar para o celular dela (que também estava dentro da bolsa) mas ninguém atendia. Então resolvemos largar o carro dela lá e pegar um taxi. Eu que fiquei com a conta do taxi porque ninguém mais tinha cash – guarda essa informação que vai ser importante mais pra frente – então, chegamos em casa, eu peguei o meu carro e fui levar a minha amiga e os 2 meninos em casa – detalhe: eles moravam a 50 minutos de distância da minha casa.

Estava previsto para cair uma tempestade de neve que começaria as 4 da manhã daquele dia, então fui leva-los e voltei correndo, com medo de pegar neve pelo caminho. Cheguei em casa tão cansada, mas tão cansada, que tirei a calça jeans e o sapato e dormi com a roupa de baixo toda e de maquiagem.

No dia seguinte, um dos meninos (que estava com a gente, que apelidarei de Ogro), ficou de leva-la onde o carro estava largado, e de lá ela ligaria pra um chaveiro. Mas ele fez corpo mole e não a levou, ela teve que ligar para outra amiga que fez esse enorme favor. Depois de 3 horas, muito trabalho e 250 dólares mais pobre (sim, ela teve que pagar tudo isso para fazer outra chave) finalmente ela pegou o carro e voltou pra casa. Nisso, ela viu no Facebook que um cara enviou uma mensagem pra ela dizendo que estava com a bolsa e o casaco. Ela me ligou e nós fomos num restaurante encontrar o imbecil que disse que havia pego as nossas coisas por engano.

O cara apareceu, entregou nossas coisas, pediu desculpas e vazou... quando ele virou as costas minha amiga disse “Mari, esse cara é o namorado do viado que dançou comigo”. E concluímos que aquele bixa infeliz tinha pegado nossas coisas de propósito porque deve ter ficado com ciúmes do namoradinho dele ter dançado com a minha amiga. A raiva foi imensa, principalmente para ela que gastou mô grana, mas pelo menos ela recuperou a bolsa, e eu o meu casaco.

Essa amiga ia fazer uma festa na casa dela para o Ano Novo, mas essa história influenciou em tudo. Primeiro porque ela ia dar um jantar, mas depois do arrombo no bolso de 250 dólares, ela ficou sem grana. E também o menino que fez corpo mole para ajudar é roomate dela, então ela ficou com raiva dele, desanimou da festa e achou melhor cancelar. Eu ia deixar a história do taxi quieta – lembra que fui eu que paguei o taxi? – pois então, mas como o menino deu mancada com ela, eu falei “Amiga, cobra o dinheiro do taxi do Ogro e pega pra você”. E ela cobrou, sabe o que ele respondeu?... “Eu gastei 160 dólares naquela noite, e paguei um monte de cervejas para a Mari, não vou pagar taxi nenhum”. O Ogro havia me pagado 2 cervejas Bud Light, a mais barata do mercado, e eu não pedi, ele que ofereceu. Falei pra ela deixar pra lá, e por isso escolhi o apelido de Ogro.

Bom, para o Ano Novo, nós tinhamos algumas opções além da festa na casa dela. Uma festa numa casa no lago, uma outra festa num hotel em Baltimore e uma balada em Arlington. No fim, a festa na casa do lago miou, a festa no hotel também e quando fomos pesquisar a balada, o ingresso havia aumentado de preço. Puta quel pareu, o que falta mais pra dar errado nessa porcaria de festas de fim de ano? Claro que eu vou arrumar algo pra fazer, mas se o Murphy continuar na minha bota, vou acabar sozinha no meio da rua soltando fogos, e acabar presa, porque nem pra comemorar Ano Novo pode se fazer barulho nesse país.

Ah, já ia me esquecendo: HAPPY NEW YEAR, EVERYBODY! I GUESS...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tá chegando a hora...


E só me resta 1 mês na terrinha do Tio Sam. Nessa reta final é hora de pensar num monte de coisas antes de partir, como por exemplo, a gastação de dinheiro. Me ferrei duas vezes, porque além dos presentes de Natal para a galera daqui, comprei algumas lembrancinhas, coisas para vender e coisas pra mim, claro. Tenho que separar as roupas que vou jogar fora, as tranqueiras que tenho que não cabe na mala, nos casacos e botas que eu comprei mas não usarei em hipótese nenhuma no Brasil e por ai vai.

Fazer as malas é complicado, só não vou pagar excesso de bagagem porque uma amiga (santa) tá indo pro Brasil com poucas malas e vai levar algumas das minhas coisas. Mas essa parte pra mim não é tão complicada. O mais doloroso mesmo é o adeus. Dizer tchau pra a Host Family, para as crianças que me pentelharam por todo esse tempo, para os amigos que fiz aqui, para a diversão, para as estações de ano tão bem definidas, para as compras – é tão barato que qualquer um pode ter roupas de marca e eletrônicos de última geração - , pro carro dahora que eu dirijo, para meu quarto – que apesar de não ser muito legal é grande e só meu – pro palhacinho que eu tô pegando e me apeguei. Enfim, para essa vida sofrida, mas boa e divertida.

Já escrevi posts a respeito de ficar ou não ficar nos Estados Unidos, mas só agora que eu estou tendo a noção do que é o desespero nessa hora. É uma sensação inexplicável, a gente fica feliz e triste ao mesmo tempo.

Eu estou aqui faz dois anos direto, estou com uma saudade imensa da minha família, dos meus amigos, da comida, do clima, até de ouvir “Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem”, no metro de São Paulo, eu tô com saudade. Muita coisa mudou no Brasil desde que eu mudei pros Estados Unidos, minha irmã casou, vou ser tia, meus pais mudaram de casa e até o presidente do Brasil vai ser outro quando eu chegar. Muitas novidades esperam por mim e que me fazem ansiosa pra ir embora. Já me acostumei com a idéia de ir embora, já comecei a fazer as malas, e minha cabeça já ta lá no Brasil, no Verão, nas baladas, na minha família, no meus amigos, nos botecos da Augusta... aaah, que saudade.

Ao mesmo tempo o sentimento de adeus é terrível. Morar 2 anos fora me fez criar vínculos fortes com o país onde vivi muitas coisas novas, aprendi coisas diferentes, conheci muita gente, até meu estômago acostumou com as junk foods e o meu corpo com o tempo de muito frio no Inverno e muito calor no Verão. Essa experiência foi com certeza uma das melhores da minha vida até agora e que eu nunca vou esquecer. Estou indo embora, mas não sei o que acontecerá no futuro, minhas portas estão abertas para voltar se eu achar que vale a pena.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Você teria uma Au pair?


Conversando com uma amiga, começamos um assunto sobre formar uma família, acabamos caindo no assunto Você teria uma Au pair? e concluimos que por mais que tivessemos uma penca de filhos, uma Aupair não seria uma solução. Colocar gente estranha dentro de casa é mesmo um costume americano, eu não acho nada normal conhecer uma pessoa pela internet de outro país e trazer pra morar na sua casa. Mas não é só pelo fato de que essa mania não faz parte da minha cultura, mas também tem outros motivos pelo qual nós não fariamos isso.

As Au pairs tem acesso a tudo da vida da host family: correspondência que eles esquecem aberta em cima do balcão da cozinha, brigas de família, casa mal arrumada, louça mal lavada, cueca suja que o host esquece no banheiro depois de tomar banho, mimos entre o casal e por ai vai, a intimidade da família vai por água abaixo.

Fora isso, também tem as manias de cada Au pair: comer no meio da noite e fazer barulho na cozinha, chegar bêbada da balada – e fazer barulho, esquecer a chave da porta e ter que ligar dentro da casa pra pedir pra abrir, esquecer gilette usada ou roupa suja no banheiro, quarto bagunçado, falar alto no telefone, e uma infinidade de coisas que todos nós temos e a host family também tem que aceitar.

Eu e as meninas que ando já aprontamos cada uma que se as host families descubrissem pediriam rematch na hora e olha que nós somos um grupo de Aupair que tem noção das coisas. Fico sabendo de cada história que até Deus duvida (que nem diz minha mãe).

Acho que a minha primeira cagadinha foi levar multa por excesso de velocidade, eu estava com o menino de 2 anos dentro do carro, por isso, resolvi ficar quietinha, pagar a multa sem falar pro meus hosts. Eles nunca descobriram. Depois dessa multa vieram mais trocentas...dessas só contei de uma porque não era tão grave. Com o tempo fiquei mais abusadinha, uma bela noite, bebi pra cassete e achei que tava sussa pra dirigir, quando peguei o carro e vi que tava enxergando 2 faróis, 2 calçadas e ainda por cima embassado, eu notei que o nível de álcool ainda tava alto, tive muita sorte de chegar em casa sem nenhuma polícia ter me parado, se não, voltaria pro Brasil fichada nos Estados Unidos.

Toda vez que fiquei sozinha aprontei alguma, já trouxe várias amigas para fazer clube da luluzinha, comemos a comida deles, bebemos, até dançamos em cima do balcão da cozinha. Outra vez, saimos de balada e voltamos todas bêbadas, deixei todo mundo dormir em casa, coloquei amiga pra dormir até na cama das crianças.

No Verão desse ano minha família viajou, e fui eu inventar de fazer um churrasco em casa, deu até polícia, já contei aqui sobre essa festa. Quando meus hosts chegaram de viagem, eu fiquei com a bunda na mão (pra não falar outra coisa) com medo de algum vizinho ir fofocar, por sorte, eles nunca souberam. Não satisfeita, numa segunda vez que eles foram viajar, eu dei uma festinha na casa, fiquei mais louca que o bozo e até deixar um amigo acender cigarro dentro da casa eu deixei, sorte que uma amiga sóbrea viu e mandou ele sair.

Outro dia cheguei da balada bêbada de madrugada. Estava segurando um monte de sacolas. Parei na cozinha pra beliscar alguma coisa (coisa que jamais faço sobrea porque faz barulho), derrubei as sacolas todas no chão, coloquei coisa pra esquentar no microondas, quando fui descer pro meu quarto, caí nas escadas e consequentemente as sacolas foram todas pro chão e junto comigo, sairam rolando até o último degrau. Ou seja, naquela noite a casa inteira acordou.

Já bati o carro feio, já dei muitos raladinhos leves também, já fiquei sem gasolina no meio da rua, já deu pipino no carro de amigas na frente da minha casa e no fim eu tive que pedir uma mãozinha para o meu host. Já dei uns amassos dentro do carro deles com um cara da Navy que até um tag do uniforme dele caiu atrás do banco e eu fui descobrir depois, minha host pegou o carro na manhã seguinte, mas ainda bem que ninguém viu.

Bom, presepadas é o que não faltam. As minhas amigas também já aprontaram várias parecidas (ou até piores). Uma delas foi encontrar um peguete no bar, os dois beberam tanto que ela resolveu leva-lo pra casa escondido - a maioria das Aupairs não são autorizadas a levar homem dentro de casa - no dia seguinte ela não ia trabalhar, então os dois ficaram bem quietinhos até todo mundo da casa sair, e ai o menino foi embora. Uma outra amiga minha deu uma festa num fim de semana que ficou sozinha em casa, a festa foi a maior pegação, todo mundo ficou louco de bebida e pegou alguém. Teve um casal que foi dar umas no quarto dos host, e outro no quarto das crianças.

Tem histórias que não acabam mais, e isso que somos o grupo das mais comportadas, imagina as outras. Você acha que depois dessa experiência eu teria uma Au pair? JAMAIS.

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